O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deu entrevista, nessa terça-feira (17), para a Rádio Tupi FM, do Rio de Janeiro, e reafirmou que considera a pandemia do novo coronavírus, conhecido como Covid-19, como uma “histeria”.
“Esse vírus trouxe uma certa histeria. Tem alguns governadores, no meu entender, posso até estar errado, que estão tomando medidas que vão prejudicar e muito a nossa economia”, declarou.
O Brasil tem, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), no relatório divulgado às 16h do dia 17 de março, 321 casos confirmados, com uma morte e apenas dois recuperados.
A primeira morte em território nacional em decorrência do Covid-19 aconteceu em São Paulo, com um homem de 62 anos que nem constava das estatísticas oficiais como caso confirmado nem caso suspeito.
Mesmo assim, o presidente da República, na entrevista, seguiu diminuindo o problema: “a vida continua, não tem que ter histeria. Não é porque tem uma aglomeração de pessoas aqui e acolá esporadicamente (que) tem que ser atacado exatamente isso. É tirar a histeria. Agora, o que acontece? Prejudica”.
Festa de aniversário
Bolsonaro foi mais longe no desprezo ao problema. Ele faz aniversário no próximo sábado (21) e prometeu uma festa para comemorar. O presidente completa 65 anos e está no grupo de maior risco à doença.
“Eu faço 65 daqui a quatro dias. Vai ter uma festinha tradicional aqui. Até porque eu faço aniversário dia 21 e minha esposa dia 22. São dois dias de festa aqui. Emenda, dia 21, próximo de meia-noite ela minha cumprimenta; logo depois eu a cumprimento”, disse.
Governadores vão no sentido contrário
Para conter a epidemia de coronavírus, governo federal, estados e municípios têm adotado uma série de medidas para reduzir a circulação e aglomeração de pessoas.
Na maioria dos casos, escolas têm sido fechadas. Academias, cinemas, teatros e museus também estão proibidos de abrir. O Poder Público tem decretado situação de emergência para facilitar a contratação de serviços sem a necessidade de licitação. Em alguns casos, servidores e empregados públicos poderão trabalhar em home office.
São Paulo e Rio de Janeiro, as duas maiores cidades do país, decretaram situação de emergência.
Mais críticas de Bolsonaro
Entretanto, o presidente acha exageradas tais medidas.
“Eu vi aí, não sei se é verdade, que a nossa Feira dos Nordestinos está proibida de funcionar. Isso é uma histeria. Porque o cara não vai na Feira do Nordestino, ele vai na esquina ali comer um churrasquinho de gato num outro lugar qualquer para se juntar. O cara não vai ficar em casa. Então essa histeria leva a um baque da economia”, disse.
E foi mais longe: “quando você proíbe o jogo de futebol, o cara que vende o chá-mate ali na arquibancada, o cara que guarda o carro lá fora, perdeu o seu emprego. Ele, que já não vive muito bem, porque está na informalidade, vai ficar sem um ganha-pão e vai continuar se virando, correndo atrás de ganhar a vida em outro (lugar), continuar transitando no meio da população como um todo. E vai ter mais dificuldade, e em tendo mais dificuldade come pior; acaba não comendo adequadamente, ele fica mais debilitado. Em o coronavírus chegando nele, tem uma tendência maior de ocupar um leito hospitalar”.
Porém, a declaração que repercutiu pior foi sobre como o Brasil vai se livrar do vírus. Bolsonaro disse que “uma nação, o Brasil por exemplo, só será livre desse vírus, do coronavírus aí, quando um certo número de pessoas for infectada e criar anticorpos, que passam a ser barreira para não infectar quem não foi infectado ainda”.
“Como o coronavírus está vindo, tem que ser diluído. Em vez de uma parte da população ser infectada num período de dois, três meses, que seja entre seis, sete, oito meses. Porque havendo um pico de pessoas com problema, e geralmente ataca quem tem mais idade ou quem tem algum tipo de problema de saúde, aí passa a ser mais grave”, concluiu.
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