A bolsa de valores fechou com perdas de 1,11% nesta quinta-feira (12), ficando com 120.700,98 pontos, na contramão de Nova York, que viu seus principais índices comemorarem ganhos.
No Brasil, a tensão segue. Senão, vejamos: o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, disse que fará “o que for preciso” para manter a inflação sob rédea firme. Mas a questão dos precatórios ainda pesa e alimenta o risco fiscal.
Além disso, a Câmara dos Deputados adiou a votação sobre a proposta de reforma do Imposto de Renda para a semana que vem. Novas discussões vêm por aí.
A política também segue tensa, ainda com a questão sobre a urna eletrônica, algo que após a derrota na Câmara dos Deputados, antes de ontem (10), esperava-se ter sido enterrada. Mas não. O bolsonarismo, incentivado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), segue colocando gasolina no fogo.
No exterior, os Estados Unidos receberam dados da inflação acima do esperado, ao mesmo tempo em que os números do seguro-desemprego vieram no consenso. No balanço, o marcado em Nova York reagiu bem.
Dessa forma, o Ibovespa apresentou na mínima 120.533,72 pontos (-1,25%); e na máxima, 122.095,40 pontos (+0,03%).
O volume financeiro negociado foi de R$ 33,300 bilhões.
Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:
- segunda-feira (9): +0,17% (123.019,38 pontos)
- terça-feira (10): -0,66% (122.202,47 pontos)
- quarta-feira (11): -0,12% (122.056,34 pontos)
- quinta-feira (12): -1,11% (120.700,98 pontos)
- semana: -1,72%
- agosto: -0,90%
- 2021: +1,41%
Juros
- D1F22: +0,04 p.p. para 6,58%
- D1F23: +0,09 p.p. para 8,27%
- D1F24: +0,11 p.p. para 8,93%
- D1F25: +0,12 p.p. para 9,25%
- D1F26: +0,13 p.p. para 9,45%
- D1F27: +0,10 p.p. para 9,64%
- D1F28: +0,21 p.p. para 9,78%
- D1F29: +0,11 p.p. para 9,91%
- D1F30: +0,01 p.p. para 9,80%
- D1F31: +0,11 p.p. para 10,11%
Dólar
O dólar seguiu avançando nesta quinta. A moeda norte-americana ganhou 0,67% e passou a valer R$ 5,2212.
- segunda-feira (9): +0,21% a R$ 5,2473
- terça-feira (10): -0,96% a R$ 5,1967
- quarta-feira (11): +0,47% a R$ 5,2212
- quinta-feira (12): +0,67% a R$ 5,2564
- semana: +0,39%
Euro
- segunda-feira (9): -0,14% a R$ 6,1421
- terça-feira (10): -0,99% a R$ 6,0811
- quarta-feira (11): +0,72% a R$ 6,1250
- quinta-feira (12): +0,66% a R$ 6,1653
- semana: +0,24%
Criptomoedas*
- Bitcoin: -2,82% a R$ 233.886,33
- Ethereum: -4,23% a R$ 16.125,58
- Tether: +1,83% a R$ 5,26
- Cardano: -3,60% a R$ 9,31
- Binance: -2,57% a R$ 2.029,48
*(variação nas últimas 24h – corte: 17h)
Bolsa em Nova York e cenário mundial
Em meio aos dados da inflação e de pedidos de seguro-desemprego, as ações em Wall Street subiram, em sues principais índices.
O Índice de Preços ao Produtor (IPP, ou PPI na sigla em inglês) dos EUA subiu 1% em julho, repetindo a leitura de junho e ficando acima da projeção de 0,6%. Na comparação anual, a alta é de 7,8%, também acima da expectativa de 7,3%.
Ontem, o Índice de Preços ao Consumidor veio abaixo da projeção, o que sinalizou uma possível desaceleração dos preços, o que não foi confirmado nos preços aos produtores de hoje.
O núcleo do IPP, que exclui itens voláteis, como alimentos e energia, também subiu 1% – a projeção era de 0,5%.
O IPP mede as pressões sobre os preços antes que cheguem aos consumidores. A alta é a mais forte em 12 meses, desde que a série histórica teve início, em novembro de 2010.
“A inflação, no mínimo, parou”, afirmou à CNBC Brad McMillan, diretor de investimentos da Commonwealth Financial Network. “Os números mensais e anuais ficaram estáveis ou caíram em relação ao mês anterior. Com base nesses dados, a inflação certamente não está incontrolável”.
“À medida que analisamos os números, a inflação está acima, mas mostra sinais de rolar e retornar a níveis mais confortáveis”, acrescentou.
Já os novos pedidos de seguro-desemprego nos Estados Unidos ficaram em 375 mil, exatamente como previa o mercado, com desaceleração em relação à semana anterior (387 mil revisados de 385 mil). É a terceira semana seguida de queda no indicador.
A média móvel de quatro semanas foi de 396,250 mil, um aumento de 1,750 mil em relação à média revisada da semana anterior.
A taxa de desemprego, ajustada sazonalmente, foi de 2,1% na semana encerrada em 31 de julho, com queda de 0,1% em relação à semana anterior.
Este é o nível mais baixo de pedidos de seguro-desemprego desde 14 de março de 2020.
Do outro lado do Atlântico, os ganhos na Europa foram a maioria, mas ficaram limitados, depois que as ações da Ásia-Pacífico caíram, já que a propagação da variante delta continuou a incomodar os investidores.
Com relação aos dados, o Produto Interno Bruto (PIB) do Reino Unido cresceu 1% mais forte do que o esperado em junho, mas permanece 2,2% abaixo de seu nível pré-pandemia. Uma estimativa preliminar do PIB do segundo trimestre mostrou crescimento de 22,2% em relação ao mesmo período do ano passado, quando medidas de bloqueio em todo o país colocaram a economia britânica em queda livre.
“O PIB do segundo trimestre do Reino Unido veio em linha com as expectativas, nos mostrando que a recuperação econômica continua no caminho certo, apesar de quaisquer temores sobre a oferta ou escassez de mão-de-obra ou sobre a variante delta”, disse à CNBC Caroline Simmons, diretora de investimentos do Reino Unido no UBS Global Wealth Management.
Nova York
- S&P 500: +0,30%
- Nasdaq: +0,35%
- Dow Jones: +0,04%
Europa
- Euro Stoxx 600 (Europa): +0,48%
- DAX (Alemanha): +0,70%
- FTSE 100 (Reino Unido): -0,37%
- CAC (França): +0,36%
- IBEX 35 (Espanha): +0,04%
- FTSE MIB (Itália): +0,38%
Ásia e Oceania
- Shanghai (China): -0,22%
- SZSE Component (China): -0,79%
- China A50 (China): -1,24%
- DJ Shanghai (China): -0,30%
- Hang Seng HSI (Hong Kong): -0,53%
- SET (Tailândia): mercado fechado
- Nikkei (Japão): -0,20%
- ASX 200 (Austrália): +0,05%
- Kospi (Coreia do Sul): -0,38%
Brasil: ambiente político e econômico
O presidente do BC, Roberto Campos Neto, voltou a afirmar que a instituição financeira fará “o que for preciso” para manter a inflação dentro das metas estabelecidas.
“Vamos usar todo instrumento existente, na medida em que for preciso, para que as inflações fiquem ancoradas no médio e longo prazo”, afirmou Campos Neto.
A mensagem visa a tranquilizar o mercado quanto à capacidade do Brasil de manter a estabilidade fiscal em meio a “sucessivos choques” que vêm afetando a economia global.
“Entendemos que, quando o BC passou uma mensagem mais dura em relação a isso, as inflações implícitas de longo prazo, que estão muito ligadas à percepção fiscal, começaram a cair. Por isso é tão importante passar a mensagem de credibilidade fiscal para os agentes econômicos”, acrescentou.
Ele ressaltou que grandes investidores estão atentos ao grau de endividamento dos países emergentes. Entre eles, o Brasil, cuja dívida pública já vinha crescendo antes mesmo da pandemia.
Por sua vez, o ministro da Economia, Paulo Guedes, foi taxativo: “não tenho como pagar os R$ 90 bilhões de precatórios esse ano, não tenho como pagar, senão eu estouro toda a legislação de teto, eu estouro toda a legislação de responsabilidade fiscal, nós cometemos um crime de responsabilidade fiscal, o que inclusive já deu impeachment no Brasil”.
A afirmação do ministro foi dada em audiência na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados nesta quinta.
Precatórios são dívidas do governo, em face de uma condenação judicial definitiva, ou irrecorrível. Ou seja, o governo precisa pagar. Mas, segundo Guedes, não há dinheiro: “devo, não nego; pago quando puder”, disse o ministro esta semana, recuperando uma velha frase popular.
A Câmara chegou a iniciar mais cedo as discussões sobre a reforma do Imposto de Renda, algo prometido e esperado para hoje. Mas não teve jeito: a votação foi adiada para a semana que vem, o que estressou o mercado.
No campo dos dados, o volume de serviços cresceu 1,7% na passagem de maio para junho, alcançando o patamar mais elevado desde maio de 2016. O resultado é bem superior à projeção de alta de 0,2% do mercado.
Em relação a junho de 2020, o avanço é de 21,1%, sendo a quarta taxa positiva consecutiva. No acumulado do ano, o setor cresceu 9,5%. Em 12 meses, o crescimento é de 0,4%. Vale lembrar que o setor é o de maior peso no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
Bolsa: ações
Das 84 ações negociadas na bolsa, apenas 14 subiram e as todas outras 70 caíram em relação à sessão anterior.
Mais negociadas
- Petrobras (PETR4): R$ 29,10 (+1,50%)
- Vale (VALE3): R$ 109,20 (-0,06%)
- Via (VVAR3): R$ 12,07 (-7,30%)
- JBS (JBSS3): R$ 31,08 (-5,85%)
- B3 (B3SA3): R$ 13,89 (-7,71%)
Maiores altas
- Notre Dame Intermédica (GNDI3): R$ 82,62 (+6,91%)
- Hapvida (HAPV3): R$ 14,85 (+6,38%)
- Fleury (FLRY3): R$ 23,61 (+4,01%)
- Sul América (SULA11): R$ 29,02 (+2,80%)
- Raia Drogasil (RADL3): R$ 25,81 (+2,75%)
Maiores baixas
- Ultrapar (UGPA3): R$ 15,21 (-12,33%)
- Minerva (BEEF3): R$ 8,82 (-11,27%)
- B3 (B3SA3): R$ 13,89 (-7,71%)
- Via (VVAR3): R$ 12,07 (-7,30%)
- Banco Inter (BIDI11): R$ 67,38 (-6,16%)
Outros índices brasileiros
- IBrX 100: -1,04% (52.232,88 pontos)
- IBrX 50: -0,92% (20.446,74 pontos)
- IBrA: -0,91% (4.928,71 pontos)
- SMLL: -1,51% (2.875,27 pontos)
- IFIX: -0,64% (2.722,32 pontos)
- BDRX: +0,81% (13.705,85 pontos)
Commodities
Petróleo Brent (outubro)/barril
- segunda-feira (9): -2,35% (US$ 69,04)
- terça-feira (10): +2,30% (US$ 70,63)
- quarta-feira (11): +1,15% (US$ 71,44)
- quinta-feira (12): -0,18% (US$ 71,31)
- semana: +0,92%
Petróleo WTI (setembro)/barril
- segunda-feira (9): -2,64% (US$ 66,48)
- terça-feira (10): +2,72% (US$ 68,29)
- quarta-feira (11): +1,40% (US$ 69,25)
- quinta-feira (12): -0,23% (US$ 69,09)
- semana: +1,25%
Ouro (dezembro)/onça-troy
- segunda-feira (9): -1,85% (US$ 1.730,55)
- terça-feira (10): +0,26% (US$ 1.730,95)
- quarta-feira (11): +1,35% (US$ 1.755,15)
- quinta-feira (12): -0,09% (US$ 1.751,80)
- semana: -0,33%
Prata (setembro)/onça-troy
- segunda-feira (9): -3,73% (US$ 23,42)
- terça-feira (10): -0,32% (US$ 23,34)
- quarta-feira (11): +0,71% (US$ 23,56)
- quinta-feira (12): -1,38% (US$ 23,17)
- semana: -4,72%
Com Wisir Research, BDM e CNBC