A bolsa de valores caiu 0,93% nesta quinta-feira (17), fechando com 128.057,22 pontos, no primeiro pregão após a definição do Comitê de Política Monetária (Copom), ontem, sobre o novo valor da taxa Selic, passando de 3,50% para 4,25% ao ano. Esse é o menor patamar do Ibovespa desde 31 de maio.
Os bancos seguraram o impacto, senão o estrago poderia ser maior.
Hoje foi um dia de ajustes, compreensões e análises sobre a decisão, que afinal já era esperada pelos agentes do mercado, desde a última reunião. O ajuste de mais 0,75 ponto percentual prevaleceu. Havia um mínimo de apostas de um ajuste de 1 ponto percentual, o que não se concretizou. Agora, olha-se para o futuro. Até o final do ano, as apostas do mercado são de subida ainda mais acentuada: Selic de de 6% a até 7%.
A próxima reunião do Copom é em agosto.
Em Nova York, os principais índices fecharam mais uma vez sem posição definida, ainda digerindo a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) de manter as taxas de juros entre zero e 0,25%.
Hoje, o Ibovespa apresentou na mínima 127.576,44 pontos (-1,30%); e na máxima, 129.919,47 pontos (+0,51%).
O volume financeiro negociado foi de R$ 34,600 bilhões.
Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:
- segunda-feira (14): +0,59% (130.207,96 pontos)
- terça-feira (15): -0,09% (130.091,08 pontos)
- quarta-feira (16): -0,64% (129.259,49 pontos)
- quinta-feira (17): -0,93% (128.057,22 pontos)
- semana: -1,07%
- junho: +1,46%
- 2021: +7,60%
Dólar
O dólar voltou a cair nesta quinta. A moeda norte-americana desceu 0,74% e passou a valer R$ 5,0225.
- segunda-feira (14): -1,02% a R$ 5,0707
- terça-feria (15): -0,55% a R$ 5,0428
- quarta-feira (16): +0,34% a R$ 5,0600
- quinta-feira (17): -0,74% a R$ 5,0225
- semana : -1,97% a R$ 5,0225
Euro
- segunda-feira (14): -1,03% a R$ 6,1313
- terça-feira (15): -0,27% a R$ 6,1150
- quarta-feira (16): -0,86% a R$ 6,0624
- quinta-feira (17): -1,40% a R$ 5,9773
- semana: -3,34% a R$ 5,9773
Criptomoedas*
- Bitcoin: -0,42% a R$ 188.852,50
- Ethereum: -5,79% a R$ 11.808,46
- Tether: -2,17% a R$ 5,02
- Cardano: -5,26% a R$ 7,39
- Binance: +1,52% a R$ 1.754,76
*(variação nas últimas 24h – corte: 17h)
Bolsa em Nova York e cenário mundial
Os índices em Nova York, mais uma vez, fecharam sem direção definida, com os investidores digerindo a última atualização de política monetária do Federal Reserve.
A reunião do Federal Reserve ontem (16) estimulou uma venda de ações depois que o banco central acelerou seu cronograma para aumentos das taxas, prevendo dois aumentos em 2023. O Fed também aumentou sua previsão de inflação para 3,4% no ano, um ponto percentual acima da previsão do FOMC em março.
Enquanto isso, a China tem feito jogo duro com as commodities, afetando, inclusive, o petróleo, que despencou.
“As commodities foi um investimento popular no ano passado, pois os investidores têm adicionado alguma proteção de portfólio contra a inflação. Muitos investidores provavelmente ficaram superexpostos durante a reunião do Fed e a resposta do dólar americano está forçando alguma reconsideração”, disse Jim Paulsen, estrategista-chefe de investimentos do Leuthold Group, à CNBC.
A lenda dos fundos de hedge David Tepper disse à mesma CNBC que o Fed fez um bom trabalho e que “o mercado de ações ainda está bom por enquanto”.
Além disso, na semana finalizada em 12 de junho, os novos pedidos de seguro-desemprego nos Estados Unidos ficaram em 412 mil, aumento de 37 mil em relação a semana anterior, conforme dados do Departamento do Trabalho anunciou hoje.
O resultado veio acima do previsto, que era de 360 mil solicitações no período.
A média móvel de 4 semanas foi de 395 mil, uma redução de 8.000 em relação à média revisada da semana anterior. Este é o nível mais baixo para essa média desde 14 de março de 2020, quando era de 225.500.
Na Europa, a inflação da zona do euro subiu 0,3% em maio, para um aumento anual de 2%, devido aos preços mais altos de energia e serviços, dados finais do Eurostat confirmaram hoje. O resultado superou ligeiramente a meta do Banco Central Europeu.
Além disso, o Banco Nacional da Suíça aumentou suas projeções de inflação e PIB, mas prometeu manter a política monetária ultra-frouxa para conter o franco suíço altamente valorizado.
Nova York
- S&P: -0,04%
- Nasdaq: +0,87%
- Dow Jones: -0,62%
Europa
- Euro Stoxx 600 (Europa): +0,15%
- DAX (Alemanha): +0,11%
- FTSE 100 (Reino Unido): -0,44%
- CAC (França): +0,21%
- IBEX 35 (Espanha): -0,07%
- FTSE MIB (Itália): -0,21%
Ásia e Oceania
- Shanghai (China): +0,21%
- SZSE Component (China): +1,23%
- China A50 (China): -0,10%
- DJ Shanghai (China): +0,16%
- Hang Seng HSI (Hong Kong): +0,19%
- SET (Tailândia): -0,44%
- Nikkei (Japão): -0,93%
- ASX 200 (Austrália): -0,37%
- Kospi (Coreia do Sul): -0,42%
Brasil: ambiente político e econômico
O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), anunciou nesta quarta-feira (16) que a taxa Selic subiu de 3,50% para 4,25% ao ano, em sua 238ª reunião.
A elevação foi deliberada de forma unânime pelos integrantes do colegiado, que é formado por diretores do BC, e era esperada pelos analistas financeiros.
A expectativa majoritária do mercado era por uma terceira alta sequencial da Selic, em um novo reajuste de 0,75 ponto porcentual, chegando a 4,25%. Havia dúvida, minoritária, se o ajuste ficaria em torno de 1 ponto percentual.
O Copom prevê outro reajuste de mesma magnitude na próxima reunião, nos dias 3 e 4 de agosto. E revelou que pode elevar a Selic até 6,5% no fim do ano.
“Para a próxima reunião, o Comitê antevê a continuação do processo de normalização monetária com outro ajuste da mesma magnitude. Contudo, uma deterioração das expectativas de inflação para o horizonte relevante pode exigir uma redução mais tempestiva dos estímulos monetários. O Comitê ressalta que essa avaliação também dependerá da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e de como esses fatores afetam as projeções de inflação”, informou o texto.
O comitê explica que a piora das expectativas de inflação pode exigir redução mais tempestiva de estímulos. O BC cita presença de “ociosidade” no cenário externo.
“No cenário externo, estímulos fiscais e monetários em alguns países desenvolvidos promovem uma recuperação robusta da atividade econômica. Devido à presença de ociosidade, a comunicação dos principais bancos centrais sugere que os estímulos monetários terão longa duração. Contudo, a incerteza segue elevada”.
Para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a decisão do Copom é “equivocada”. Em nota, a entidade destacou que a medida encarece crédito para consumidores e empresas justamente em um “momento crítico da atividade econômica, que sofreu novo impacto negativo com a segunda onda da pandemia”.
A CNI lembra que a produção industrial de abril de 2021 ainda está 6,6% abaixo do nível alcançado em dezembro de 2020.
“A decisão por um terceiro aumento expressivo da Selic vai de encontro a essa necessidade e desestimula a demanda ao aumentar o custo do financiamento de maneira significativa”, afirmou o presidente da entidade, Robson Braga de Andrade.
Também em nota, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, afirmou que o novo aumento ocorre em um cenário de recuperação econômica ainda não consolidada.
“O PIB [Produto Interno Bruto, soma de bens e serviços do país] mostrou bom desempenho no 1º trimestre do ano e animou as expectativas para um crescimento acima de 5,5% neste ano. Porém, um aumento excessivo dos juros em um cenário de recuperação econômica ainda não plenamente consolidada pode prejudicar o processo de retomada do crescimento econômico do Brasil”.
Segundo Marcel Domingos Solimeo, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a decisão do Copom de elevar a Selic deveu-se à preocupação com a aceleração da inflação que vem ocorrendo nos últimos meses. A previsão de agora dos economistas para o mercado financeiro, de acordo com o Índice Oficial de Preços (IPCA) para este ano, conforme o Relatório de Mercado Focus, prevê alta de 5,82%.
Já a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) entende que um aumento da Selic em 0,75 ponto percentual neste momento está em linha com a evolução do quadro inflacionário atual e com o aumento das expectativas para a inflação para os próximos meses.
No campo dos dados, a Pesquisa Anual da Indústria da Construção (Paic) 2019, divulgada hoje (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que naquele ano o setor totalizou R$ 288 bilhões, sendo R$ 273,8 bilhões em obras e serviços de construção e R$ 14,2 bilhões em incorporações. Desse total, R$ 127,3 bilhões foram em construção de edifícios, R$ 92,8 bilhões em obras de infraestrutura e R$ 67,9 bilhões em serviços especializados.
Em 2019, o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 1,4%, o terceiro valor positivo seguido após a retração observada em 2015 e 2016. A construção havia retraído em 2017 e 2018 e voltou a crescer em 2019, alcançando 1,5%. A criação de empregos no setor também voltou a crescer, após vários anos de queda ou estagnação.
A pesquisa identifica mudanças estruturais na indústria da construção ao longo do tempo, não fazendo relações de causalidade nem análises conjunturais. As variáveis analisadas são empregos e salários, receita, custos e despesas, valor das incorporações e tipos de obra. A série histórica traz a análise de dez anos, de 2010 a 2019.
Já na política, o plenário do Senado começou a analisar ontem (16) a Medida Provisória (MP) que permite a privatização da Eletrobras (ELET3 ELET6). O tema estava na pauta para ser discutido e votado, mas a demora na apresentação do relatório, a cargo do senador Marcos Rogério (DEM-RO), fez o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), determinar a leitura do relatório hoje e a votação para esta quinta (17).
A MP precisa ter o texto final apreciado até terça-feira (22) para não perder validade. O texto foi aprovado na Câmara no dia 20 de maio e seguiu para o Senado.
Bolsa: ações
Das 84 ações negociadas na bolsa, 27 subiram e as outras 57 caíram em relação à sessão anterior.
Mais negociadas
- Vale (VALE3): R$ 105,90 (-2,08%)
- Petrobras (PETR4): R$ 28,13 (-3,47%)
- Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 32,90 (-1,17%)
- Bradesco (BBDC4): R$ 27,96 (-0,43%)
- B3 (B3SA3): R$ 17,17 (+1,54%)
Maiores altas
- Banco Inter (BIDI11): R$ 69,29 (+5,35%)
- Magazine Luiza (MGLU3): R$ 21,31 (+4,92%)
- Locaweb (LWSA3): R$ 27,35 (+4,79%)
- BR Distribuidora (BRDT3): R$ 27,20 (+2,95%)
- Via (VVAR3): R$ 15,06 (+2,59%)
Maiores baixas
- Braskem (BRKM5): R$ 53,84 (-5,38%)
- CSN (CSNA3): R$ 40,30 (-4,95%)
- PetroRio (PRIO3): R$ 19,14 (-4,54%)
- Gerdau (GGBR4): R$ 29,00 (-3,78%)
- Metalúrgica Gerdau (GOAU4): R$ 13,44 (-3,66%)
Outros índices brasileiros
- IBrX 100: -1,00% (54.726,29 pontos)
- IBrX 50: -1,17% (21.253,97 pontos)
- IBrA: -0,95% (5.156,40 pontos)
- SMLL: -0,73% (3.171,42 pontos)
- IFIX: -0,10% (2.812,84 pontos)
- BDRX: -0,01% (12.498,19 pontos)
Commodities
Petróleo Brent (agosto)/barril
- segunda-feira (14): +0,23% (US$ 72,86)
- terça-feira (15): +1,55% (US$ 73,99)
- quarta-feira (16): +0,54% (US$ 74,39)
- quinta-feira (17): -1,76% (US$ 73,08)
- semana: +0,56% (US$ 73,08)
Petróleo WTI (julho)/barril
- segunda-feira (14): -0,04% (US$ 70,88)
- terça-feira (15): +1,75% (US$ 72,12)
- quarta-feira (16): +0,04% (US$ 72,15)
- quinta-feira (17): -1,54% (US$ 71,04)
- semana: +0,21% (US$ 71,04)
Ouro (agosto)/onça-troy
- segunda-feira (14): -0,67% (US$ 1.866,95)
- terça-feira (15): -0,39% (US$ 1.858,65)
- quarta-feira (16): -1,03% (US$ 1.837,30)
- quinta-feira (17): -4,65% (US$ 1.774,80)
- semana: -6,74% (US$ 1.774,80)
Prata (julho)/onça-troy
- segunda-feira (14): -0,46% (US$ 28,01)
- terça-feira (15): -1,03% (US$ 27,75)
- quarta-feira (16): -0,84% (US$ 27,46)
- quinta-feira (17): -6,37% (US$ 26,04)
- semana: -8,69% (US$ 26,04)
Com Wisir Research, BDM e CNBC






