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BC: Não há espaço para mais estímulos sem contrapartidas fiscais

BC: Não há espaço para mais estímulos sem contrapartidas fiscais

As declarações de Roberto Campos Neto, presidente do BC, parecem se repetir a cada semana quando o assunto é o risco fiscal no País

As declarações de Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central (BC), parecem se repetir a cada semana quando o assunto em pauta é a possibilidade de novas medidas de auxílio voltadas à pandemia.

Segundo o executivo, o cenário é cristalino: não há nenhum espaço para novas medidas fiscais sem que haja algum tipo de contrapartida fiscal.

“É preciso tomar ações para que a dívida não continue crescendo. A reação dos mercados nos mostra que a fragilidade fiscal pesa mais do que os eventuais benefícios de se colocar mais dinheiro na economia, pontuou, durante participação em evento promovido pelo Observatory Group.

Segundo Campos Neto, uma nova ação do governo nesse sentido “pode acabar tendo o efeito contrário, de contração da economia”.

“Há consenso no Executivo e no Legislativo de que, se algo for feito, tem que ser com disciplina fiscal”, complementou o executivo.

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Guedes mostra sintonia com o BC

Paulo Guedes, Ministro da Economia, também participou de um evento nesta terça com investidores internacionais e foi abordado pelo tema.

Pelo menos no discurso, o chefe da pasta econômica mostrou estar em plena sintonia com o presidente do BC.

“Se fizer mais um pacote fiscal sem nenhuma contraparte, a mensagem que será passada é que a trajetória da dívida vai continuar a subir e o prêmio de risco que os investidores vão pedir para manter a dívida brasileira pode ter um efeito, uma implicação de qual tipo de política que o Banco Central pode adotar”, pontuou.

Os últimos dados divulgados pela pasta apontaram que os gastos na pandemia elevaram a dívida pública federal no ano passado em 17,9%, ultrapassando R$ 5 trilhões.

Por conta disso, Campos Neto foi bastante didático ao comentar qual a saída para o País equilibrar sua situação fiscal e, eventualmente, voltar a pensar em uma nova rodada do auxílio emergencial, menor do que o original.

“Temos agora no Congresso uma situação mais favorável para a aprovação de reformas. Isso deve reduzir um pouco os prêmios de risco e ajudar a reduzir a volatilidade no câmbio”, opinou.

“Entendemos que parte dessa volatilidade está relacionada com o risco de longo prazo do País. Por isso é importante aprovar reformas que possam mitigar esse risco fiscal. Precisamos de reformas para gerar confiança e fazer o setor privado investir. A resposta é credibilidade, credibilidade e credibilidade”, concluiu.