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Bancos têm lucros reduzidos quase à metade no segundo trimestre

Bancos têm lucros reduzidos quase à metade no segundo trimestre

Os quatro maiores bancos brasileiros listados na B3 foram, literalmente, sacudidos pela pandemia e viram seus resultados despencarem quase 50% no 2TRI20.

Os quatro maiores bancos brasileiros listados na B3 foram, literalmente, sacudidos pelos efeitos da pandemia do novo coronavírus e viram seus resultados despencarem quase 50% no segundo trimestre de 2020.

A perda média de Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4) e Santander (SANB11) foi 40%.

O Itaú reportou prejuízo líquido de R$ 1,9 bilhão no segundo trimestre de 2020, queda de 40%, enquanto o Bradesco recuou 40,1% ao marcar R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre de 2020.

Já o Santander Brasil obteve lucro líquido de R$ 2,136 bilhões no segundo trimestre, queda de 41,2% na comparação com igual período em 2019.

Somente o Banco do Brasil (BBAS3) teve queda menos acentuada. A instituição reportou uma retração de 25,3% no lucro líquido do segundo trimestre, para R$ 3,31 bilhões  .

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Os resultados vieram em linha com as projeções do BTG Pactual, que esperava um recuo de 38,7%.

Os analistas Eduardo Rosman e Thomas Peredo disseram que, além da pandemia, a lenta recuperação da economia acabou pressionando as margens.

Também pesaram fatores concorrenciais, regulamentação e uma taxa de juros muito baixa. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central cortou a Taxa Selic por duas vezes no período, de 3,75% para 3% e de 3% para 2,25%, antes do corte para 2% realizado na última quarta-feira (5).

Bancos: Santander teve queda de 41% no lucro

Bancos: Santander teve queda de 41% no lucro

Primeiro semestre

O economista-chefe e sócio do banco digital Modalmais, Alvaro Bandeira, avalia que o primeiro semestre de 2020 foi, sem dúvida, muito ruim por conta da desaceleração da economia.

“Evidentemente, foi ruim para todos os setores, dentre os quais o setor financeiro”, disse.

Ele destacou que a iniciativa dos bancos perante a crise, de socorrerem seus clientes pessoas físicas e jurídicas com alongamento de dívidas, teve impacto nos resultados.

Também pesaram nos balanços das instituições financeiras, além do juro em queda, os spreads menores nas operações entre captação e aplicação. Bandeira destacou, ainda, medidas do Banco Central que apontam para uma descentralização do setor.

“Isso implica em menos mercado para os grandes bancos no médio e longo prazo”, frisou, em referência ao PIX, aplicativo de transações financeiras do governo.

Bancos: BB reportou retração de 25% no lucro

Bancos: BB teve lucro 25% menor

Bolsa de valores

A instabilidade causada pela pandemia teve reflexos imediatos nas ações destes bancos na bolsa de valores. Para se ter ideia, os quatro grandes bancos que fazem parte do Ibovespa operavam, ao fim dos primeiros sete meses do ano, com um múltiplo preço/lucro abaixo da média histórica, o que pode indicar que as ações estão baratas, segundo avalia o banco Daycoval, com base no fechamento no dia 31 de julho.

Naquela data, o Bradesco tinha um P/L de 11,26 vezes em um período de 12 meses, contra 12,40 vezes na média dos últimos cinco anos.

Já o Banco do Brasil operava com um P/L de 5,42 vezes ante 7,65 vezes na média, e o Santander um múltiplo de 8,48 vezes, bem abaixo dos 13,55 vezes vistos nos últimos cinco anos.

De acordo com o Daycoval, somente o Itaú estava dentro da média de 11,26 vezes no período.

Bancos: Bradesco lucro caiu 40%

Bancos: Bradesco lucro caiu 40%

Alerta de inadimplência

Os resultados dos bancos tiveram a influência do aumento das provisões para os próximos meses.

Embora a economia dê sinais de estar voltando, lentamente, à normalidade, ainda há um temor quanto a um dos indicadores que poderá pressionar bastante os resultados no segundo semestre.

O risco de calote é uma realidade em um panorama de mais de 12 milhões de desempregados e outro contingente de trabalhadores com salário e horas de trabalho reduzido.

Por conta disso, Santander e Banco do Brasil reservaram R$ 7 bilhões para provisões contra inadimplência de clientes.

Já no Bradesco, o valor para provisões foi estabelecido em R$ 3,8 bilhões.

O Itaú tinha provisionado mais de R$ 4 bilhões no primeiro trimestre e não aumentou esse valor no segundo trimestre.

Segundo analistas, isso ocorre porque mesmo com níveis aparentemente controlados de inadimplência, os bancos adotam posição conservadora e de defesa.

No fechamento do primeiro semestre, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) informou que a inadimplência havia atingido 67,4% das famílias brasileiras, número recorde.

Para a agência de risco Moody’s, os cinco maiores bancos brasileiros estão expostos ao risco, dada a participação em suas carteiras de créditos sem garantias, suportados apenas pelo perfil de crédito dos tomadores, de acordo com relatório.

Bancos: medo de inadimplência elevou provisões

Medo de inadimplência elevou provisões

Deterioração no terceiro trimestre

As expectativas para o terceiro trimestre também não são boas. O coordenador do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getúlio Vargas, William Eid Junior, avalia que, com o desemprego elevado, as pessoas poderão deixar de pagar seus empréstimos junto aos bancos, acentuando o problema.

“Podemos esperar uma deterioração maior da situação, pois, além da crise do Covid-19, temos uma tensão política grande, que só prejudica o combate à pandemia, bem como a recuperação econômica”, disse ao Euqueroinvestir.com.

“Vamos ver como [os bancos] vão se comportar em relação aos dividendos que, em geral, são razoavelmente constantes, com um pagamento extra no ano”, complementou.

O Santander, por exemplo, anunciou junto com a divulgação de seu balanço do segundo trimestre a retirada das projeções (guidance) que tinha feito em 2019 para esse e os próximos dois anos. E o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari, disse, em teleconferência com analistas, que a retomada econômica será determinante para a melhora do ambiente de negócios.

Segundo semestre

Apesar do cenário turbulento, Alvaro Bandeira, do Modalmais, espera resultados melhores no fechamento do segundo semestre para os bancos como um todo, principalmente os privados de grande porte que são bastante eficientes.

“O fato de terem ficado atrasados no que diz respeito a outras ações que se expandiram fortemente no mercado pode fazer com que tenham uma performance melhor no segundo semestre”, disse.

Bandeira se refere aos avanços na digitalização dos serviços, onde as grandes instituições ficaram para trás em relação a bancos menores e às fintechs.

Digitalização ajudou resultado de bancos

Digitalização ajudou resultado de bancos

Digitalização

Em teleconferência de resultados, todos os executivos dos bancos abordaram acerca da digitalização do setor. Eles pretendem investir para dar mais suporte ao segmento.

Isso porque o volume de novos clientes, bem como de operações digitais, aumentou exponencialmente no período.

Eles foram enfáticos ao afirmar que a pandemia do novo coronavírus acelerou o processo de digitalização do segmento financeiro. E que se trata de um caminho sem volta.