Azul (AZUL4) reportou um prejuízo de R$ 6,135 bilhões no primeiro trimestre de 2020, revertendo o lucro líquido de R$ 125,3 milhões no mesmo período de 2019.
De acordo com a companhia, o resultado foi impactado negativamente pelas perdas com hedge, depreciação do real e pelo ajuste do valor da sua fatia na TAP.
O prejuízo excluindo variação cambial e marcação a mercado totalizou R$975,3 milhões, principalmente relacionado com o ajuste do valor justo de sua participação na TAP de R$ 618,5 milhões e as perdas com hedge de combustível.
O lucro antes juros, impostos, depreciação e amortização (Ebtida, na sigla em inglês) somou R$ 654,2 milhões no período, uma retração de 9,7%.
A margem Ebtida alcançou 23,3%, baixa de 5,1 pontos percentuais.
Os custos e despesas operacionais somaram R$ 2,629 bilhões, um aumento de 19,8%.
O resultado financeiro foi uma despesa de R$ 5,941 bilhões no trimestre, um crescimento de 24,8 vezes sobre as perdas financeiras de igual período do ano passado.
A Azul explica que o resultado foi impactado pelas perdas com hedges, depreciação do real e o aumento da dívida relacionada a aquisição de 20 aeronaves.

Fonte: Azul
Receita avança 10% no trimestre
A receita líquida atingiu a cifra de R$ 2,802 bilhões no primeiro trimestre de 2020, um crescimento de 10,3% em relação ao mesmo período de 2019.
Segundo a Azul, o resultado foi puxado pelo devido ao aumento de 9,0% na receita de transporte de passageiros e ao crescimento de 38,7% em outras receitas.
O lucro operacional somou R$ 173,6 milhões no trimestre, uma contração de 50%.
A margem operacional (EBIT) ficou em 6,2%, uma redução de 7,5 p.p.

Fonte: Azul
Os passageiros-quilômetros transportados (RPKs) aumentaram em 10,8% frente a um aumento de 12,0% na capacidade, levando a uma taxa de ocupação de 81,0%, 0,9 ponto percentual menor do que no primeiro trimestre de 2019.
Os custos por ASK (CASK) aumentaram em 7,0%, devido principalmente à depreciação média de 18,2% do real, e ao aumento de 27,5% na depreciação, relacionado principalmente com a adição líquida de 20 novas aeronaves em nossa frota nos últimos doze meses.

Fonte: Azul
Investimentos
Os investimentos da Azul totalizaram R$ 222,6 milhões no primeiro trimestre de 2020, uma redução de 51,4%.
Os aportes foram destinados principalmente à capitalização de eventos de manutenção de motores e aquisição de peças de reposição.
Dívida praticamente dobrou
A dívida líquida da Azul encerrou o primeiro trimestre em R$ 17,848 bilhões, uma elevação de 94% em comparação com mesmo período de 2019.
A alavancagem financeira, medida pela relação dívida líquida / Ebtida, ficou em 5 vezes no final de março, ante 3,3 vezes no final de março de 2019.

Fonte: Azul
Impactos do Covid-19
Desde o início da pandemia, a Azul ajustou a sua malha, e na segunda quinzena de março reduziu
a sua capacidade em 50%.
Em 26 de março, a Azul implementou uma malha aérea essencial, reduzindo a quantidade de voos diários de 950 para 70. A Companhia tem operado apenas os voos que geram receita suficiente para cobrir seus custos variáveis.
Nas semanas de 4 e 11 de maio, a Azul aumentou sua malha para 90 e 115 voos diários, respectivamente, com base na identificação de novos mercados viáveis.
Segundo a Azul, como parte de seus esforços de redução da capacidade em resposta à pandemia do Covid-19, estacionou temporariamente aproximadamente 120 aeronaves e está revendo seu plano de frota para ajustá-lo ao novo ambiente de demanda.
Esforços
A companhia área reduziu os custos variáveis, que representam aproximadamente 60% do total de custos operacionais da Companhia.
De acordo com a Azul, os custos fixos são compostos principalmente por arrendamentos de aeronaves e salários.
Aluguel de Aeronaves.
A Companhia informou que está negociando o adiamento dos pagamentos de aluguel de aeronaves de forma
que acompanhem a retomada da demanda esperada para os próximos 18 a 24 meses.
Aproximadamente 90% de nossa frota está sob arrendamento operacional, o que nos dá mais flexibilidade para trabalhar com nossos parceiros durante esse ambiente de incerteza.
A Azul espera reduzir suas despesas com salários em mais de 50% no segundo trimestre de 2020. Mais de 10.500 tripulantes aderiram ao programa de licença não remunerada da companhia.
TwoFlex
A Azul anunciou a conclusão da aquisição da TwoFlex divulgada em janeiro, após receber aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que aprovou o negócio sem restrições.
O pagamento de R$ 123 milhões, de acordo com a companhia, será em até 30 parcelas mensais, sujeito a determinadas condições financeiras e operacionais, e um pagamento final de até R$ 30 milhões, que serão depositados como garantia em favor da companhia por um período determinado.
A TwoFlex é uma companhia aérea doméstica com sede em Jundiaí. Fundada em 2013, oferece serviço regular de passageiros e cargas para 39 destinos no Brasil, dos quais apenas três destinos regionais são atendidos pela Azul, e possui 14 slots na pista auxiliar de Congonhas.
A Azul destaca no comunicado que seus dois principais concorrentes, Gol e LATAM, controlam a maioria dos voos neste aeroporto. “A frota de 17 aeronaves Cessna Caravan da TwoFlex, um turboélice regional versátil e eficiente com capacidade para nove passageiros, será importante para a Azul continuar a fortalecer a capilaridade da sua malha no mercado regional brasileiro de passageiros e cargas”, diz o documento.





