Na quinta-feira (12), de máscara, o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), ao lado do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), fez sua costumeira live no Facebook pedindo que seus apoiadores não realizassem os atos e protestos a favor do governo, marcados para este domingo (15). A preocupação era com a disseminação do novo coronavírus no país.
Sem o aval do presidente, esperava-se que os militantes desistissem da manifestação. Mas não foi o que aconteceu. Após a live, nas redes sociais surgiu a hashtag “#DesculpeJairMasEuVou”, mostrando que a intenção era mesmo manter o movimento.
Nesse domingo, pelo menos 229 cidades, de acordo com o portal UOL, realizaram manifestações.
A maioria mostrava apoio ao presidente e pedia o fechamento do Congresso Nacional, contra os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), além do fechamento do Supremo Tribunal Federal (STF).
Participação de Bolsonaro nos atos
Em Boa Vista, Roraima, após pouso técnico antes de seguir para os Estados Unidos, no dia 7 de março, o presidente convocou os brasileiros a participar da manifestação e afirmou que o movimento é “espontâneo”, rechaçando qualquer investida contra o Congresso Nacional ou o Judiciário. “O político que tem medo de movimento de rua não serve para ser político”, disse.
“Então participem, não é um movimento contra o Congresso, contra o Judiciário, é um movimento pró-Brasil. É um movimento que quer mostrar para todos nós, presidente, Poder Executivo, Poder Legislativo, Poder Judiciário. Que quem dá o norte para o Brasil é a população”, afirmou.
Entretanto, o que se vê na ruas, especialmente em Brasília, é justamente o contrário: manifestantes de verde e amarelo carregam faixas de desagravo aos outros poderes da República. Na capital do país, manifestantes usam máscaras com a frase: “Congresso corruptos vírus”.
Em sua conta no Twitter, Bolsonaro limitou-se a reproduzir imagens que chegam de manifestações Brasil afora. Já foram mostrados vídeos de Belém, Brasília, Maceió, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Salvador e Parnaíba (PI), em claro apoio aos movimentos.
Já foram 12 tuítes sobre as manifestações.
Bolsonaro, que está em isolamento após viagem aos EUA, descumpriu a medida de prevenção do ministério da Saúde, aproximou-se de manifestantes e pegou celular para fazer selfie. Ele também cumprimentou com as costas da mão alguns militantes.
Em Brasília, segundo a Folha, “o presidente deixou o Palácio da Alvorada por volta do meio-dia e seguiu para a Esplanada dos Ministérios, onde um grupo de apoiadores realiza o ato. O presidente não desceu do comboio presidencial e, de carro, passou a ser seguido por veículos com simpatizantes”.
Saúde pública
As redes sociais têm criticado os protestos da extrema-direita, mas não pela via ideológica e sim de saúde pública. A imprensa tem repetido que tais manifestações acontecem no início da aceleração da disseminação do Covid-19 no país.
Segundo o Ministério da Saúde, são 121 casos confirmados em todo o país. A OMS fala em 162. Mas os dados estão notadamente desatualizados, já que as secretarias estaduais de saúde têm mostrado que há casos não relatados, incluindo seis pessoas da comitiva presidencial que foi aos Estados Unidos.
A expectativa é que nas próximas semanas o surto se alastre rapidamente pelo país e possa chegar a 4 mil casos, na mais modesta avaliação.
Os atos incentivados pelo presidente, nesse sentido, não ajudam em nada a prevenir a disseminação da doença.
Nas redes sociais, está circulando um vídeo gravado em São Luís, no Maranhão. Um manifestante diz em megafone que o coronavírus é fake news criado pela China e que derrubou as bolsas pelo mundo: “eu tenho o vírus da gripe no meu corpo, e você também tem. Todo mundo tem. Coronavírus nunca matou uma pessoa na face da Terra. E não vai matar. Velhos morrem porque têm pneumonia e outras coisas mais. Não tenho medo do ‘caronavírus'”.
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