A economia da Venezuela poderá receber uma ajuda do FMI (Fundo Monetário Internacional), caso as sanções dos EUA caiam em uma mudança de regime após a saída de Nicolás Maduro do cenário, avalia a Fitch Ratings em um relatório enviado a clientes.
Para Carlos Masip, diretor sênior, chefe de organizações supranacionais, ainda não está claro qual a influência dos EUA na Venezuela após a destituição de Maduro, mas o país pode desempenhar um papel excepcionalmente importante em qualquer processo de reestruturação da dívida.
“Partimos do pressuposto de que a Venezuela terá de liquidar as suas dívidas com os credores multilaterais – ou de apresentar um plano credível e acordado para a sua liquidação, apoiado por garantias de financiamento – antes que o financiamento do FMI possa ser retomado”, observa Masip.
A Venezuela deve cerca de US$ 4 bilhões a bancos multilaterais de desenvolvimento (BMDs), sendo a Corporación Andina de Fomento (CAF) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) responsáveis pela maior parte desse valor.
Já o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA) também possui uma exposição marginal.
“Essas obrigações estão em atraso desde 2019 e 2018 para a CAF e o BID, respectivamente, em decorrência de diversos fatores, notadamente a ampliação das sanções impostas à Venezuela pelos EUA em 2017. As exposições equivalem a cerca de 5,3% da carteira de empréstimos da CAF, 1,7% da do BID e 0,1% da do FIDA”, calcula a Fitch. O país é o único com exposição soberana em atraso do BID.
A agência de classificação de risco acredita que a dívida com os BMDs representa uma pequena parcela da dívida externa total da Venezuela, provavelmente menos de 3%, embora a falta de dados públicos sobre a dimensão da dívida total dificulte essa estimativa.
“A quitação dos atrasos com os BMDs também permitiria que a Venezuela acessasse o financiamento para o desenvolvimento tão necessário para apoiar sua recuperação econômica”, opina Masip.
O cenário base é que a dívida dos BMDs seja quitada antes de uma reestruturação mais abrangente, dada a sua condição de credor preferencial e os incentivos para a Venezuela liquidar esses atrasos a fim de recuperar o acesso ao financiamento dos BMDs.
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