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Varejo da China marca pior resultado desde o fim da Covid em 2022

Varejo da China marca pior resultado desde o fim da Covid em 2022

Economistas projetavam alta de 2%; fraqueza do imobiliário, que já caiu à metade do pico de 2021, ameaça balanços das famílias

A economia chinesa deu um tropeço expressivo em abril, com consumo, produção industrial e investimentos ficando abaixo das projeções dos economistas. A guerra do Irã pesa sobre o momentum da segunda maior economia do mundo, e os dados divulgados nesta segunda-feira pelo Departamento Nacional de Estatísticas da China (NBS) confirmam a deterioração do quadro doméstico.

O indicador mais preocupante foi o varejo: as vendas no varejo cresceram apenas 0,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior, ante expectativa de alta de 2% em levantamento da Reuters e desacelerando significativamente frente ao avanço de 1,7% registrado em março.

Varejo no pior nível em três anos

O resultado de abril é o mais fraco desde dezembro de 2022, quando a China começava a afrouxar as restrições relacionadas à Covid-19, segundo dados da Wind.

A leitura sugere que o impulso de reabertura foi consumido e que novos vetores de crescimento ainda não ganharam força suficiente para sustentar o consumo doméstico. A guerra do Irã, ao pressionar os preços de energia e aumentar a incerteza global, contribuiu para frear o apetite das famílias chinesas.

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Indústria e investimentos também decepcionam

A produção industrial cresceu 4,1% em abril na comparação anual, desacelerando frente aos 5,7% de março e ficando abaixo da projeção de 5,9%. O investimento fixo urbano — que inclui imóveis e infraestrutura — contraiu 1,6% nos quatro primeiros meses do ano, revertendo a expansão de 1,7% registrada no primeiro trimestre e contrariando a expectativa de crescimento de 1,6% no período.

O recuo foi puxado pelo setor imobiliário, cujos investimentos caíram 13,7% no acumulado do ano até abril, aprofundando a retração de 11,2% vista no primeiro trimestre.

Imobiliário em colapso estrutural

O investimento imobiliário no país caiu quase à metade desde o pico atingido em 2021. Lizzi Lee, pesquisadora do Center for China Analysis, alerta em um texto à CNBC que novas quedas nos preços dos imóveis aprofundariam o impacto sobre os balanços das famílias, lembrando que o ciclo de baixa já provocou perdas significativas de empregos na construção civil e nos setores relacionados.

Infraestrutura e manufatura cresceram 4,3% e 1,2%, respectivamente, nos quatro primeiros meses, insuficientes para compensar o peso do imobiliário sobre o investimento total.

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