O discurso do Estado da União feito pelo presidente Donald Trump foi recorde em duração, mas desprovida de substância política relevante, avalia o banco Scotiabank. O pronunciamento foi classificado como “nada com nada”, com uma retórica presidencial que se choca com dados econômicos reais sobre inflação e emprego.
Segundo o relatório assinado pelo economista Derek Holt, o evento falhou em oferecer soluções para questões críticas como habitação e serviu mais como uma distração teatral diante da queda de popularidade do presidente entre eleitores independentes e latinos, culminando em uma sugestão inquietante sobre um possível terceiro mandato.
1 – Extensão recorde
O Scotiabank destaca que o discurso foi o mais longo da história, durando 1 hora, 47 minutos e 46 segundos. No entanto, o banco adverte que o tempo gasto não se traduziu em profundidade. Segundo a análise, “se o seu foco for colher novas informações sobre inclinações políticas, eu não recomendo”, aponta o Scotiabank, indicando que o evento serviu mais como espetáculo do que como anúncio de diretrizes.

2 – Audiência em queda
O texto ressalta que o discurso de Trump manteve um nível de legibilidade de 8ª série (ensino fundamental), uma tendência comum entre presidentes desde 1990 para se adaptar à era das redes sociais. Apesar do esforço de comunicação, o banco observa que Trump nunca quebrou recordes de audiência com seus discursos do Estado da União.

3 – Divergência entre retórica e dados
Um dos pontos mais críticos da análise envolve a checagem de fatos sobre a economia. O Scotiabank contesta a narrativa de Trump sobre a revitalização de um mercado supostamente estagnado antes de sua gestão. Conforme o relatório, “o gráfico mostra que a afirmação de que Trump ressuscitou uma economia americana de baixo desempenho não é verdadeira; o crescimento era sólido e menos errático antes de Trump assumir o cargo“. O banco também aponta que a inflação atual permanece superior à de seu primeiro mandato.

4 – Propostas de “pequeno alcance”
Para os analistas, o discurso foi um “nada com nada” em termos de política material. A proposta de contribuições estaduais de US$ 1.000 para aposentadorias foi considerada irrelevante. Além disso, temas cruciais como habitação, novas tarifas ou tensões com a China e o Canadá foram ignorados ou tratados sem novidades, o que, para o Scotiabank, pode ser visto como um alívio diante dos riscos de medidas impulsivas.
5 – Incerteza democrática
O banco conclui que o discurso dificilmente reverterá a queda na aprovação de Trump entre independentes e eleitores latinos. O encerramento, onde o presidente sugeriu a possibilidade de um terceiro mandato, causou desconforto. De acordo com o Scotiabank, “Trump provocou sobre um terceiro mandato e disse que ‘coisas estranhas acontecem’. Isso não vai aplacar a preocupação de que ele rejeitaria quaisquer votos desfavoráveis”.






