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Por que Trump não consegue reabrir o Estreito de Hormuz?

Por que Trump não consegue reabrir o Estreito de Hormuz?

Fundador da Eurasia Group alerta que conselheiros do presidente evitam contradizê-lo por interesse de acesso, criando uma bolha de informações que impede correção de curso no conflito

O conflito entre Estados Unidos e Irã entrou em uma fase de impasse perigoso, com o fracasso do “Projeto Liberdade” expondo as limitações da estratégia americana e reforçando a confiança iraniana no confronto.

A análise é de Ian Bremmer, fundador e CEO da Eurasia Group, que avalia o estado atual da guerra com ceticismo crescente sobre a capacidade de Trump encontrar uma saída favorável.

Projeto Liberdade dura 48 horas

A iniciativa americana para reabrir o Estreito de Hormuz foi anunciada no domingo e suspensa na terça-feira, depois que o Irã abriu fogo contra navios que tentavam a passagem e lançou mísseis e drones contra os Emirados Árabes Unidos.

“O que estávamos demonstrando com o Projeto Liberdade é que eles não controlam o estreito”, disse o secretário de Defesa Hegseth. O resultado prático foi o oposto.

O Irã demonstrou mais uma vez que está preparado para escalar para preservar sua alavancagem, e a resposta sem entusiasmo de Trump apenas reforçou sua confiança de que tem a vantagem“, avalia Bremmer.

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Custos econômicos vão muito além da gasolina

Com o estreito efetivamente fechado, Bremmer alerta que as consequências econômicas ainda estão longe do pior cenário.

“Os estoques de combustível de aviação estão se aproximando de níveis críticos”, aponta o analista. Tanques químicos que transportavam fertilizantes para o sul da Ásia — às vésperas da temporada de plantio — e tanques de gás essenciais para o combustível de cozinha no Sudeste Asiático estão entre as cargas afetadas.

“A dor que vimos até agora vai parecer um aquecimento quando as escassez reais começarem a aparecer e os preços subirem o suficiente para destruir a demanda”, avisa Bremmer.

Três saídas, nenhuma boa

Na avaliação do analista, Trump tem apenas três opções: escalada militar, acordo negociado ou retirada unilateral. A primeira opção é a mais arriscada.

“Ordenar ataques mais amplos à infraestrutura iraniana arrisca retaliação contra instalações de energia, plantas de dessalinização e redes elétricas em todo o Golfo”, alerta.

A segunda, um acordo, ainda parece distante. A terceira — declarar vitória e encerrar a guerra unilateralmente — “não pareceria uma vitória para Trump, mas é a menos pior das opções disponíveis no momento”, afirma Bremmer.

Bolha de informação isola o presidente

O analista faz uma crítica contundente ao ambiente de assessoramento de Trump.

“Toda conversa que ouço sobre pessoas que conversam com Trump começa da mesma forma: como ele é inteligente, como está vencendo, como os iranianos estão quase quebrados e a vitória está próxima”, descreve Bremmer.

“Isso é comportamento racional para pessoas que valorizam o acesso. Significa que ele está conduzindo esta guerra com informações ruins, sem mecanismo óbvio de correção”, conclui.

Para o analista, “esta guerra já é o maior erro de política externa de qualquer um dos mandatos de Trump, e as condições que a produziram continuam piorando”.

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