O petróleo hoje (13) opera em alta, ainda sustentado pela incerteza em torno da guerra no Irã e pelo bloqueio naval dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz. Nos últimos três pregões, a commodity acumulou alta de quase 8%, em meio ao temor de restrição prolongada na oferta global.
Por volta das 11h25, o petróleo Brent subia 0,27%, a US$ 108,06 por barril. Já o WTI avançava US$ 1,26, cotado a US$ 103,44.
Apesar do avanço nesta quarta-feira, o mercado também passou a ponderar sinais mais fracos para a demanda global. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) reduziu em 200 mil barris por dia sua previsão para o crescimento da demanda mundial em 2026, para 1,2 milhão de barris por dia.
Petróleo hoje: Demanda menor
Se a projeção for confirmada, o consumo global de petróleo somará 106,33 milhões de barris por dia em 2026, segundo o relatório mensal da Opep. Para 2027, por outro lado, o cartel elevou em 200 mil barris por dia a estimativa de crescimento da demanda, para 1,5 milhão de barris por dia, o que levaria o consumo total a 107,87 milhões de barris por dia.
Nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a Opep prevê aumento de 100 mil barris por dia neste ano e de 200 mil barris por dia no próximo. Fora da OCDE, a expectativa é de acréscimo de 1,1 milhão de barris por dia em 2026 e de 1,3 milhão em 2027.
O ajuste nas projeções ocorre em um momento no qual o mercado tenta medir o impacto econômico do quase fechamento do Estreito de Ormuz. A passagem marítima segue como principal foco de risco para petróleo, gás e fretes globais, já que concentra parte relevante do fluxo energético internacional.
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Choque em Ormuz
A Agência Internacional de Energia (AIE) também revisou de forma mais dura suas projeções. Em relatório mensal, a entidade passou a prever queda de 420 mil barris por dia na demanda global de petróleo em 2026, ante estimativa anterior de recuo de 80 mil barris por dia.
Apenas no segundo trimestre, a AIE agora projeta retração de 2,45 milhões de barris por dia na demanda, acima da estimativa anterior de 1,5 milhão de barris por dia. A revisão reflete os efeitos da interrupção do tráfego de petroleiros e do impasse nas negociações entre EUA e Irã sobre a economia global.
No cenário-base da agência, os fluxos por Ormuz voltariam gradualmente a partir de junho. Ainda assim, o crescimento da demanda retornaria ao terreno positivo apenas em agosto, permanecendo próximo aos níveis de 2025 pelo restante do ano.
A recomposição da oferta, no entanto, tende a ser mais lenta. A AIE aponta danos à infraestrutura, gargalos logísticos e necessidade de remoção de minas iranianas do estreito antes da normalização das exportações. Com isso, a agência agora espera retração de 3,9 milhões de barris por dia na oferta global de petróleo em 2026, ante projeção anterior de queda de 1,5 milhão.
Com esse pano de fundo, o petróleo hoje segue sustentado pelo prêmio de risco geopolítico, mesmo diante de projeções mais fracas para a demanda. O mercado continua monitorando as negociações entre Estados Unidos e Irã, a situação em Ormuz e a capacidade de produtores e consumidores absorverem o choque nos próximos meses.






