A Petrobras (PETR4) deverá repassar aos seus clientes um reajuste de cerca de 18% no preço do querosene de aviação (QAV) a partir de 1º de maio, segundo fontes ouvidas em caráter exclusivo pelo Valor Econômico. O aumento reflete a alta do petróleo no mercado internacional, em meio à escalada de tensões no Oriente Médio.
Por política comercial, a Petrobras realiza ajustes mensais no preço do QAV, com vigência sempre a partir do dia 1º de cada mês. O cálculo considera a variação do petróleo entre o dia 24 do mês anterior e o dia 23 do mês corrente.
O percentual de reajuste é informado previamente às distribuidoras, responsáveis pela comercialização do combustível no mercado doméstico.
Este será o terceiro aumento consecutivo do QAV. Em março, o reajuste foi de 9,4%. Em abril, houve um salto mais expressivo, de 54%.
No exterior, o querosene de aviação teria subido de cerca de US$ 2 para aproximadamente US$ 4 por galão.
Petrobras e política de preços do QAV
Procurada pelo Valor Econômico, a Petrobras afirmou que “conforme prática que remonta aos últimos 20 anos, os ajustes de preços de QAV para as distribuidoras, para cima ou para baixo, ocorrem no dia 1º de cada mês, definidos por meio de fórmula contratual negociada entre as partes”.
A Petrobras acrescentou que “considerando que as relações contratuais são regidas por sigilo comercial e que o cenário atual é de extrema volatilidade, a Petrobras não pode antecipar decisões sobre manutenção ou reajustes de preços”.
A companhia informou ainda que, em abril, ofereceu opção de parcelamento para reduzir o impacto dos reajustes. O mecanismo pode ser mantido em maio e junho, dependendo das condições de mercado.
Segundo a estatal, “dessa forma, dentro de um contexto excepcional causado por questões geopolíticas, oferecemos uma alternativa que contribui para a saúde financeira dos nossos clientes ao mesmo tempo em que preserva a neutralidade financeira para a Petrobras”.
Analistas da Ativa Research avaliam que o movimento está alinhado à política de repasses mensais da Petrobras e à recomposição de preços frente ao mercado internacional.
Em relatório, os analistas afirmaram que o ajuste segue a estratégia da companhia de correção gradual da defasagem com o mercado externo. Eles destacam que, no mês passado, parte do reajuste foi parcelada, enquanto agora a tendência é de aplicação integral.
Do ponto de vista financeiro, avaliam que o impacto é limitado, já que o QAV representa uma fatia pequena do portfólio da Petrobras.
Ainda assim, consideram o movimento adequado do ponto de vista econômico, por reforçar a disciplina de preços sem alterar de forma relevante a tese de curto prazo da ação.






