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Para onde vão os preços do petróleo?

Para onde vão os preços do petróleo?

Cenário geopolítico mantém incertezas sobre o Brent, enquanto ações de petroleiras brasileiras seguem atrativas mesmo em um ambiente de acomodação das cotações

Os preços do petróleo voltaram ao centro das atenções dos investidores diante das tensões geopolíticas no Oriente Médio e das dúvidas sobre o futuro dos fluxos globais de energia. A principal questão que domina o mercado é se o barril do Brent conseguirá sustentar os níveis atuais ou se retornará para patamares mais baixos à medida que os riscos geopolíticos diminuírem.

Segundo análise da XP, o mercado trabalha majoritariamente com a expectativa de uma queda significativa do Brent caso ocorra uma normalização dos fluxos de petróleo no Estreito de Hormuz, rota estratégica para o comércio global da commodity. A casa de análise, contudo, avalia que a acomodação dos preços tende a ser mais limitada, uma vez que parte do prêmio de risco geopolítico deve permanecer incorporado às cotações no curto e médio prazo.

Diante desse cenário, a XP elevou suas projeções para o petróleo Brent. A estimativa passou para uma média de US$ 88 por barril no restante de 2026, com preço médio anual de US$ 86 por barril, além de US$ 75 em 2027 e US$ 70 a partir de 2028. As projeções anteriores consideravam um patamar de US$ 65 por barril para os anos seguintes.

A revisão das premissas levou a instituição a elevar os preços-alvo das principais companhias brasileiras de exploração e produção de petróleo. As ações da Petrobras (PETR4) tiveram o preço-alvo revisado para R$ 63, ante R$ 47 anteriormente. Para a PRIO (PRIO3), a nova estimativa passou para R$ 78, enquanto Brava Energia (BRAV3) e PetroReconcavo (RECV3) tiveram os preços-alvo ajustados para R$ 25 e R$ 13, respectivamente.

Valuation atrativo

Na avaliação da XP, uma forma mais eficiente de responder à pergunta sobre os preços do petróleo é analisar em quais níveis as ações do setor continuam atrativas. Segundo os analistas, mesmo com um Brent entre US$ 65 e US$ 70 por barril, empresas como PRIO e Petrobras ainda apresentariam retornos considerados interessantes para os investidores.

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A instituição destaca que a PRIO continua sendo sua principal recomendação no setor. Pelas projeções atuais, a companhia pode entregar FCFE yield de 24% em 2026 e 26% em 2027. Já a Petrobras apresentaria FCFE yield de 13% em ambos os anos, enquanto a Brava Energia poderia alcançar 33% em 2027.

A XP argumenta que existe uma assimetria positiva para os ativos ligados ao setor de exploração e produção. Isso porque um cenário de interrupções parciais nos fluxos de petróleo e consumo de estoques globais poderia manter o Brent acima da faixa entre US$ 75 e US$ 80 por barril, favorecendo resultados ainda mais robustos para as empresas.

Cenário de risco

Apesar da visão construtiva, os analistas reconhecem que existem riscos relevantes para as projeções. Parte dos investidores institucionais segue defendendo uma visão mais pessimista para os preços do petróleo, argumentando que uma normalização completa dos fluxos globais evidenciaria um mercado com excesso de oferta.

Nesse cenário alternativo, o Brent poderia retornar gradualmente para níveis próximos de US$ 60 por barril ou até abaixo disso. Caso essa hipótese se concretize, haveria impacto negativo sobre as estimativas de resultados e sobre os preços-alvo das companhias do setor.

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