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Ouro na B3: correção abre entrada em ações da Aura

Ouro na B3: correção abre entrada em ações da Aura

Correção expressiva das ações melhora ponto de entrada e reabre a discussão sobre valuation do setor de ouro

A forte correção recente das ações da Aura Minerals (AURA33) reacendeu o interesse dos investidores, na visão do BTG Pactual. Após queda próxima de 39% desde as máximas, os analistas avaliam que o papel voltou a apresentar uma relação risco-retorno mais atrativa, sustentada pela execução operacional consistente da companhia.

Os papeis têm baixa de aproximadamente 10% em um mês, mas valorização de 25% em 2026.

Segundo o banco, a percepção de risco que marcava o início da trajetória da empresa no mercado já diminuiu de forma relevante.

A execução operacional da Aura tem sido resiliente e os receios iniciais dos investidores foram amplamente dissipados”, destacam os analistas do BTG Pactual.

Com isso, o valuation passou a refletir um cenário mais equilibrado. A ação negocia a múltiplos considerados descontados, como 0,6 vez preço sobre NAV e 4,5 vezes EV/EBITDA projetado para 2026, além de oferecer geração de caixa relevante.

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Nesse contexto, o BTG vê a correção como uma janela de entrada. “Após a queda recente, vemos o risco-retorno como mais interessante, com valuations mais atraentes”, afirmam os analistas do BTG Pactual.

Operação da Aura em Almas (TO)
Operação da Aura em Almas (TO) (Imagem: Divulgação/ Aura)

Estratégia e recomendação

A visão construtiva não se restringe à Aura. O banco recomenda exposição ao ouro por meio de uma cesta de ações latino-americanas, incluindo também Buenaventura e Aris Mining, avaliando que o movimento recente de queda abriu oportunidades no setor.

O sell-off recente criou um ponto de entrada mais atrativo para ações de ouro na América Latina”, dizem os analistas do BTG Pactual. A estratégia busca capturar o potencial de recuperação das empresas combinado à manutenção de fundamentos sólidos para o metal.

Além disso, o banco mantém confiança na capacidade de execução da Aura e em seu plano de crescimento.

“Seguimos confiantes na capacidade da empresa de entregar sua agenda de expansão, apoiada por preços resilientes do ouro”, acrescentam.

Correção do ouro e mudança de dinâmica

Do lado da commodity, o ouro passou por uma correção relevante após atingir máximas históricas no início de 2026. O preço acumulou queda de cerca de 25% até o início de junho, movimento impulsionado principalmente pela revisão das expectativas de juros nos Estados Unidos.

Dados econômicos mais fortes, inflação persistente e um discurso mais duro do Federal Reserve reduziram as apostas em cortes de juros, pressionando o metal. Além disso, posições técnicas elevadas amplificaram o movimento de queda.

Apesar disso, o BTG destaca que o comportamento recente do ouro tem se afastado da imagem tradicional de ativo defensivo.

“O ouro tem se comportado mais como um ativo pró-cíclico, refletindo maior financeirização e peso da demanda de investimento”, apontam os analistas do BTG Pactual.

Operação da Aura Aranzazu, em Zacatecas, México
Operação da Aura Aranzazu, em Zacatecas, México

Demanda estrutural segue forte

Mesmo com a volatilidade no curto prazo, os fundamentos de longo prazo permanecem sólidos, na avaliação do banco. A demanda por ouro segue sustentada por fatores estruturais, com destaque para a atuação dos bancos centrais.

As compras do setor oficial continuam em níveis elevados, representando cerca de 20% da demanda global. Países emergentes, como China e Turquia, seguem ampliando reservas, reforçando o suporte aos preços.

Além disso, a tese de diversificação de reservas globais continua intacta, impulsionada por fatores geopolíticos.

“A demanda de bancos centrais permanece como um suporte estrutural relevante para o ouro”, afirmam os analistas do BTG Pactual.

Para o banco, o principal gatilho para uma retomada mais consistente dos preços está na trajetória da política monetária americana. Uma sinalização mais dovish do Fed poderia reativar fluxos para o metal e destravar nova valorização.