O ouro voltou a renovar máximas históricas nesta quarta-feira (21), impulsionado pelo aumento da aversão ao risco nos mercados globais, em meio à intensificação das tensões geopolíticas e à instabilidade no mercado de títulos públicos do Japão. A busca por ativos considerados seguros ganhou força diante das declarações mais incisivas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a Groenlândia, e do enfraquecimento do dólar.
Na Comex, o contrato do ouro para fevereiro subiu 1,50% e encerrou o pregão cotado a US$ 4.837,50 por onça-troy, novo recorde histórico, após atingir máxima intradiária de US$ 4.891,10. Em reais, o metal precioso superou pela primeira vez o patamar de R$ 4.800 por onça-troy.
O movimento foi reforçado pelas falas de Trump, que, às vésperas de discursar no Fórum Econômico Mundial, em Davos, voltou a defender as reivindicações americanas sobre a Groenlândia. Embora tenha afirmado que não pretende usar a força militar, o presidente manteve um tom de pressão ao indicar possíveis retaliações. Paralelamente, os Estados Unidos ameaçaram impor tarifas a oito países europeus — entre eles Alemanha, França e Reino Unido — após a oposição desses governos aos planos relacionados ao território.
A deterioração do ambiente internacional foi agravada por turbulências no Japão. A queda dos títulos do governo japonês se espalhou pelos mercados globais de renda fixa, pressionando os títulos do Tesouro americano de longo prazo e contribuindo para a desvalorização do dólar, combinação que tradicionalmente favorece a valorização do ouro.
Analistas veem continuidade da alta e impacto positivo para empresas do setor
Segundo analistas, o cenário segue favorável para o metal precioso. “Há um certo receio de perder essa oportunidade e, dada a situação geopolítica mundial, acho que é a tempestade perfeita para preços mais altos do ouro no momento”, afirmou Bob Haberkorn, estrategista sênior de mercado da RJO Futures, à CNBC.
A perspectiva positiva também é compartilhada pela Ágora Investimentos. Em relatório, a instituição afirma que o forte impulso nos preços do ouro deve persistir, sustentado pela combinação de um dólar mais fraco e pelo aumento da incerteza geopolítica, fatores que devem manter uma demanda robusta tanto por parte de bancos centrais quanto de investidores.
Nesse contexto, a Ágora reiterou a recomendação de Compra para os BDRs da Aura. Segundo a análise, a companhia deve se beneficiar do crescimento dos volumes de produção, da redução de custos e de um ambiente mais favorável de preços do ouro, o que pode levar à geração de caixa equivalente a quase 13% de seu valor de mercado em 2026, reforçando o interesse dos investidores no papel.






