O mercado de ouro atravessa um momento de forte perplexidade, com investidores posicionados tanto para um cenário de explosão para US$ 20 mil por onça quanto para uma queda abrupta rumo a US$ 4 mil.
A assimetria das apostas reflete a recente onda de volatilidade que atingiu o mercado de metais preciosos, descrita pelo Société Générale como um episódio de desalavancagem e não de deterioração dos fundamentos.
Na análise liderada por Michael Haigh, Chefe de Pesquisa de Renda Fixa e Commodities do banco, o colapso recente dos preços — com o ouro recuando 10% em um único dia, maior queda desde a década de 1980 — foi impulsionado por um reposicionamento agressivo.
“Esses movimentos extremos mostram que não foram motivados por fundamentos; foi uma questão de posicionamento”, afirma Haigh.
Ele destaca que, após meses de forte entrada em ETFs, os fundos reduziram posições de modo abrupto, atingindo níveis não vistos em semanas.
O que causou isso?
A mudança repentina no discurso do Federal Reserve também agravou o movimento. Segundo Haigh, o anúncio de Kevin Warsh como possível próximo chair do Fed eliminou parte do “prêmio de risco institucional” que o mercado atribuía ao ouro.
“Esse prêmio saiu do preço em velocidade relâmpago”, explica.
A reprecificação do dólar e das taxas reais completou o gatilho para a liquidação generalizada.
Ainda assim, o que surpreende analistas é o comportamento dos investidores no mercado de opções. O Société Générale identificou forte aumento de contratos de compra com vencimento em dezembro de 2026 em níveis extremamente elevados.

“Vemos uma grande construção no strike de US$ 10.000/oz e um aumento ainda maior em US$ 15.000/oz e US$ 20.000/oz”, descreve Haigh. Strike é o preço pré-determinado de uma opção — seja de compra (call) ou de venda (put).
No lado oposto, as apostas baixistas mais relevantes se concentram ao redor de US$ 4.000/oz.
A disparidade sugere um mercado dividido entre expectativas de um novo ciclo de alta estrutural — sustentado por temores geopolíticos e incertezas monetárias — e o risco de uma correção mais profunda caso o aperto das condições financeiras se intensifique.
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