O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu nesta quinta-feira com Donald Trump na Casa Branca em um encontro que durou cerca de três horas e reuniu ministros dos dois países.
O presidente norte-americano descreveu o encontro como “muito produtivo” e chamou Lula de “muito dinâmico” em publicação nas redes sociais, anunciando que novas reuniões técnicas foram agendadas para os próximos meses.
A cena diplomática, no entanto, carrega uma história de atritos recentes. Para a consultoria política Eurasia, especializada em risco geopolítico, a relação entre os dois líderes, chamados de “populistas”, “tem sido tensa, para dizer o mínimo”.
Desde 2025, os Estados Unidos impuseram tarifas e sanções ao Brasil em represália às políticas brasileiras de moderação de conteúdo digital e à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro — aliado próximo de Trump — pelos atos golpistas de janeiro de 2023. Lula se recusou a recuar, o que, segundo a Eurasia, foi uma jogada popular entre os brasileiros, e Trump acabou revertendo parcialmente as medidas.
Minerais críticos de um lado, proteção tarifária do outro
A pauta desta quinta-feira reflete os interesses estratégicos de cada lado. De acordo com a Eurasia, Trump quer acesso preferencial às vastas reservas brasileiras de minerais críticos — insumos essenciais para a indústria de tecnologia e defesa.
Lula, por sua vez, busca evitar uma investigação comercial americana que poderia resultar em novas tarifas e, sobretudo, impedir que Washington designe grupos criminosos brasileiros como organizações terroristas — uma classificação que poderia abrir caminho para intervenção militar dos Estados Unidos no país.
A comitiva brasileira incluiu os ministros das Relações Exteriores, da Fazenda, da Justiça, de Minas e Energia e do Desenvolvimento, além do diretor-geral da Polícia Federal — sinal da amplitude dos temas em discussão, que vão de comércio e minerais a cooperação no combate ao crime organizado.
Eleições no horizonte
O contexto eleitoral pesa sobre o encontro. A Eurasia lembra que Lula aparece tecnicamente empatado nas pesquisas com o filho de Bolsonaro às vésperas das eleições presidenciais brasileiras deste ano.
Apesar das diferenças ideológicas profundas, a consultoria destaca que os dois líderes compartilham um traço em comum: “são populistas com forte viés nacionalista, mas já tiveram momentos de química inesperada“. O que esta quinta-feira vai entregar, ainda está por ser visto.
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