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Brasil é um “vencedor relativo” na geopolítica da guerra, diz XP

Brasil é um “vencedor relativo” na geopolítica da guerra, diz XP

Saldo comercial de US$ 9,2 bilhões até a quarta semana de abril supera o mesmo período do ano passado e embasa projeção de US$ 85 bilhões para 2026

O Brasil vive um momento raro de convergência entre fatores externos favoráveis e um posicionamento estratégico que o coloca em vantagem relativa frente a outras economias emergentes. É essa a leitura da XP Investimentos em seu mais recente relatório de setor externo, que revisou para baixo a projeção do dólar ao final deste ano – de R$ 5,30 para R$ 5,00 – e manteve o déficit em conta corrente em níveis considerados administráveis.

A melhora nos termos de troca, impulsionada pela alta simultânea no preço e no volume exportado de petróleo, é o principal motor da revisão. Dados preliminares de abril revelam que o saldo comercial atingiu US$ 9,2 bilhões até a quarta semana do mês, superando os US$ 7,7 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior.

Com isso, a XP manteve a projeção de saldo comercial em US$ 85 bilhões pelo critério do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços para este ano, e estima déficit em conta corrente de US$ 58,0 bilhões, equivalente a 2,1% do PIB.

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Real valorizado mesmo diante de incertezas geopolíticas

Apesar do aumento da incerteza decorrente do conflito no Oriente Médio, a moeda brasileira segue entre as de melhor desempenho global no ano.

A XP atribui esse comportamento à condição do Brasil como exportador relevante de commodities fora da zona diretamente afetada pelos conflitos — o que reforça sua imagem de “vencedor relativo” no atual contexto geopolítico.

O cenário, segundo a instituição, tende a atrair fluxos massivos de capital para economias emergentes exportadoras, mitigando parte do prêmio de risco que costuma acompanhar anos eleitorais.

IDP robusto e atrativos estruturais consolidam apetite externo

No campo do Investimento Direto no País, a XP projeta ingressos líquidos de US$ 75 bilhões ao longo deste ano — equivalente a 2,8% do PIB — e US$ 79 bilhões no próximo ano.

O otimismo se apoia em três pilares estruturais: um parque industrial diversificado, uma matriz energética predominantemente limpa e a condição do Brasil como detentor da segunda maior reserva mundial de terras raras.

Para o próximo ano, a projeção de dólar foi revisada de R$ 5,40 para R$ 5,30, com a ressalva de que a ausência de medidas fiscais capazes de estabilizar a dívida pública deve manter o prêmio de risco da moeda brasileira em patamares elevados, limitando uma apreciação mais intensa do real.

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