O mercado de bebidas no Brasil, especialmente o mercado cervejeiro brasileiro, atravessou 2025 sob forte volatilidade. Segundo análise do BTG Pactual, o consumo de cerveja no Brasil apresentou oscilações relevantes de volume e preço, refletindo um ambiente de competição intensa e estratégias menos previsíveis por parte das grandes cervejarias.
De acordo com os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, o ano fugiu do padrão histórico do setor. As cervejarias, afirmam, “abandonaram temporariamente o manual tradicional de preços”, o que resultou em movimentos bruscos mês a mês. O Grupo Petrópolis, por exemplo, divulgou números considerados ruidosos, com variações expressivas tanto em volumes quanto em preços médios.
Mesmo com alguns meses de recuperação pontual, o pano de fundo do mercado de bebidas no Brasil permaneceu frágil, principalmente quando comparado ao desempenho da economia como um todo.
Queda no consumo de cerveja expõe fraqueza estrutural
Um dos principais pontos destacados pelo BTG é a retração do consumo de cerveja no Brasil. Em 2025, os volumes do setor caíram cerca de 4,5% na comparação anual, desempenho bem abaixo do crescimento do PIB brasileiro. Para os analistas, esse dado reforça uma fraqueza estrutural da indústria de bebidas, que vai além de fatores pontuais.
Thiago Duarte observa que, mesmo assumindo um dezembro menos negativo, a tendência de queda já estava consolidada ao longo do ano. Guilherme Guttilla complementa que a recuperação parcial vista em algumas marcas não foi suficiente para reverter o cenário geral do mercado cervejeiro brasileiro.
Esse contexto pressiona margens, limita ganhos de escala e torna o ambiente mais competitivo, sobretudo entre os grandes grupos e produtores regionais.
Sazonalidade da cerveja volta ao padrão pré-pandemia
Outro movimento relevante no mercado de bebidas no Brasil foi o retorno da sazonalidade tradicional do consumo de cerveja. Historicamente, o primeiro trimestre, impulsionado pelo Carnaval, apresenta volumes superiores ao terceiro trimestre. Durante a pandemia, esse padrão se perdeu, com consumo mais uniforme ao longo do ano.
Segundo o BTG, 2025 marcou o início da normalização desse comportamento. Os analistas explicam que o quarto trimestre voltou a registrar crescimento sequencial mais forte, ainda que abaixo dos níveis observados antes de 2020. A expectativa é de um avanço de cerca de 15% frente ao trimestre anterior.
Esse retorno da sazonalidade ajuda a explicar parte das oscilações observadas nos dados de volumes e preços da indústria de bebidas, mas não elimina os desafios estruturais do setor.
Concorrência pressiona grandes players do mercado cervejeiro
No recorte competitivo, o relatório aponta que a Ambev deve encerrar o ano com queda de volumes próxima à média do mercado, mantendo participação relativamente estável. Os ganhos no segmento premium, onde os volumes seguem crescendo, tendem a compensar as perdas nas marcas mais populares.
Já a Heineken, segundo os analistas, continua avançando em participação, em grande parte às custas do Grupo Petrópolis. Mesmo com sinais recentes de recuperação, os volumes consolidados da empresa ainda recuam na comparação anual, o que evidencia a pressão competitiva no mercado cervejeiro brasileiro.
Para o BTG, o cenário atual sugere pouco espaço para crescimento acelerado, com foco maior em eficiência, gestão de preços e preservação de margens dentro do mercado de bebidas no Brasil.






