O IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor – Semanal) registrou alta de 0,32% na quarta quadrissemana de outubro, segundo dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Com o resultado, o indicador acumula avanço de 4,14% nos últimos 12 meses.
Apesar da elevação do índice, seis dos oito grupos de despesas que compõem o IPC-S apresentaram desaceleração em suas taxas de variação na comparação com a terceira quadrissemana de outubro.
A principal contribuição para o resultado veio do grupo Habitação, cuja taxa passou de alta de 0,16% para queda de 0,16%. O movimento foi acompanhado por desacelerações em Alimentação, Transportes, Vestuário, Saúde e Cuidados Pessoais e Despesas Diversas.
Em Alimentação, a variação recuou de 1,08% para 0,85%. No grupo Transportes, passou de 0,34% para 0,19%. Já Vestuário registrou desaceleração de 0,28% para 0,13%, enquanto Saúde e Cuidados Pessoais passou de 0,28% para 0,27%.
Em Despesas Diversas, a taxa de variação passou de -0,02% para -0,03%.
Na direção contrária, dois grupos apresentaram aceleração. Educação, Leitura e Recreação passou de 0,90% para 1,05%, enquanto Comunicação avançou de 0,02% para 0,03%.
Confiança empresarial recua pelo quarto mês consecutivo
Além dos dados de inflação, indicadores da FGV mostram um cenário de enfraquecimento da confiança no ambiente empresarial brasileiro. O Índice de Confiança Empresarial (ICE), calculado pelo FGV IBRE, caiu 0,3 ponto em outubro, para 89,8 pontos.
Na análise das médias móveis trimestrais, o indicador também manteve trajetória de queda, com recuo de 0,6 ponto. Foi a segunda redução consecutiva nessa métrica.
Segundo Aloisio Campelo Jr., pesquisador do FGV IBRE, a confiança empresarial recuou pelo quarto mês seguido, sinalizando a continuidade do enfraquecimento da atividade econômica no início do quarto trimestre, com destaque negativo para a indústria.
As avaliações sobre a situação atual dos negócios continuaram em baixa, embora as expectativas para os próximos meses tenham apresentado melhora. Com esse movimento, o Índice de Expectativas (IE) superou o Índice da Situação Atual (ISA) pela primeira vez desde setembro de 2024.
Campelo ressalta, porém, que a melhora das expectativas foi impulsionada principalmente pelo componente que mede a tendência dos negócios seis meses à frente. Por isso, ainda é difícil distinguir uma recuperação efetiva do otimismo de um possível efeito relacionado ao encerramento do período eleitoral.
Situação atual dos negócios acumula perda de 4,5 pontos
O Índice da Situação Atual Empresarial (ISA-E) recuou 1,1 ponto em outubro, para 89,6 pontos. Com isso, acumulou perda de 4,5 pontos nos últimos quatro meses.
Entre os componentes do indicador, a satisfação com a situação atual dos negócios caiu 1,2 ponto, para 87,8 pontos. Já a avaliação sobre o nível de demanda no momento presente recuou 1,0 ponto, atingindo 91,4 pontos.
Por outro lado, o Índice de Expectativas Empresariais (IEE) avançou 0,6 ponto no mês, alcançando 90,2 pontos. O resultado interrompeu uma sequência de três meses consecutivos de queda, período em que o indicador havia acumulado perda de 1,5 ponto.
Entre os componentes do índice, o otimismo em relação à demanda para os três meses seguintes permaneceu estável em 87,2 pontos. Já as expectativas sobre a evolução dos negócios nos seis meses à frente avançaram 1,2 ponto, para 93,4 pontos.
Os dados mostram um quadro de desaceleração da inflação em parte dos grupos de consumo, ao mesmo tempo em que a confiança empresarial continua pressionada pela avaliação negativa das condições atuais de negócios.
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