O IBGE divulgou nesta quinta-feira (26) que o Índice de Preços ao Produtor (IPP) de agosto subiu 0,61%, ante 1,58% em julho, e dentro do esperado pelo mercado. Na base anual, a alta é de 4,76%. E, em 12 meses, o índice avança 6,42%. Comparativamente, em agosto de 2023, a taxa mensal registrava alta de 0,75%.
Este foi o sétimo resultado positivo e, dentre as atividades pesquisadas, 18 de 24 apresentaram variações positivas de preço quando comparadas ao mês anterior.
“Após um período com registros negativos, o IPP chega ao seu sétimo resultado positivo seguido. O crescimento verificado em agosto foi um pouco menor do que o de julho, com destaque para os aumentos de preços nos setores de alimentos e outros produtos químicos. Por outro lado, a variação negativa obtida pela atividade de indústrias extrativas ajudou a conter o quadro inflacionário na indústria”, explica Alexandre Brandão, responsável pela pesquisa.

Índice de Preços ao Produtor: alimentos puxam alta
As atividades industriais responsáveis pelas maiores influências no resultado de agosto foram alimentos (0,32 p.p.), indústrias extrativas (-0,25 p.p.), outros produtos químicos (0,19 p.p.) e refino de petróleo e biocombustíveis (0,12 p.p.).
Em termos de variação, indústrias extrativas (-5,06%), impressão (2,85%), outros produtos químicos (2,42%) e móveis (2,04%) foram os destaques em agosto.
O setor de alimentos (1,33%) mostrou variação positiva pelo quinto mês seguido. O acumulado no ano está em 3,42%, diferente do que foi observado em agosto de 2023, quando a variação acumulada atingiu -6,14%.
Já em relação à variação acumulada em 12 meses, o resultado de 7,10% registrado em agosto de 2024 é o maior desde outubro de 2022 (8,15%). “Esse desempenho da indústria de alimentos pode ser explicado pela alta de preços da carne bovina, em decorrência de problemas na oferta do produto e uma melhora da renda da população, que por sua vez acarreta um aumento da demanda por carne. Também houve crescimento da demanda por arroz. Já o preço do café, que vem subindo há algum tempo, se deve à conjuntura internacional, com sérios problemas na produção do Vietnã que desestabilizaram a oferta no mundo todo”, acrescenta Brandão.
A atividade de indústrias extrativas (-5,06%%) voltou a mostrar um comportamento negativo após dois meses de aumento. Além de ter exercido a segunda maior influência no resultado do IPP em agosto, foi a variação mais intensa (e única negativa) entre os quatro setores que mais se destacaram nesse quesito.
Seguindo a dinâmica vista no mercado internacional, ocorreu variação negativa de preços dos dois produtos de maior peso: “óleos brutos de petróleo” e “min. ferro e seus concentrados, exc. pelotizado/sinterizado”.
Em terceiro lugar no ranking de influências, o setor de Outros produtos químicos superou a alta obtida em julho (2,08%), alcançando um crescimento de 2,42% em seus preços médios. Trata-se do terceiro resultado positivo em sequência, período no qual acumulou um ganho de 8,44%. No ano, o indicador acumula alta de 11,33% e, nos últimos 12 meses, de 12,67%.
O que é o Índice de Preços ao Produtor (IPP)?
O IPP acompanha a mudança média dos preços de venda recebidos pelos produtores domésticos de bens e serviços, e sua evolução ao longo do tempo, sinalizando as tendências inflacionárias de curto prazo no país. Trata-se de um indicador essencial para o acompanhamento macroeconômico e um valioso instrumento analítico para tomadores de decisão, públicos ou privados.
A pesquisa investiga, em pouco mais de 2.100 empresas, os preços recebidos pelo produtor, isentos de impostos, tarifas e fretes, definidos segundo as práticas comerciais mais usuais. Cerca de 6 mil preços são coletados mensalmente.
A próxima divulgação do Índice de Preços ao Produtor, referente a setembro, será em 30 de outubro.






