O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, enfatizou a importância de uma maior “honestidade intelectual” ao analisar o desempenho do governo Lula na área fiscal, durante entrevista ao programa É Notícia!, da RedeTV, na noite de quinta-feira (30).
Haddad também mencionou diretamente dois ex-ministros que o antecederam no cargo, Henrique Meirelles e Paulo Guedes.
“Nós tivemos o governo Temer e o governo Bolsonaro com déficits fiscais bem mais elevados do que os que estamos observando agora”, afirmou Haddad. “Havia muito discurso sobre o cuidado com as contas públicas, mas nem o Meirelles, nem o Guedes conseguiram gerar um superávit sustentável para as finanças do país.”
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Fala de Haddad em linha com nova comunicação
Os comentários de Haddad ocorreram no contexto de mudanças na comunicação do governo no início de 2025, após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva substituir Paulo Pimenta pelo publicitário Sidônio Palmeira no cargo de ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom).
Desde então, o governo tem intensificado seus esforços para destacar as conquistas alcançadas até a metade do mandato, buscando contrastar com as gestões anteriores.
“O déficit acumulado nos sete anos dos governos Temer e Bolsonaro somou 2% do PIB. No ano passado, tivemos um déficit de apenas 0,1%”, destacou Haddad durante a entrevista. “Portanto, passa uma ideia equivocada de que as contas públicas estavam sendo cuidadas antes, quando, na realidade, isso não estava acontecendo”, completou.
Meta Fiscal para 2024
A meta fiscal estabelecida pelo governo para 2024 era alcançar um resultado primário nulo, com uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual para mais ou para menos. Em termos práticos, o resultado alcançado ficou dentro dessa meta.
Na tarde de quinta-feira, o Tesouro Nacional divulgou que o governo central registrou um déficit primário de 11,032 bilhões de reais em 2024, o que corresponde a 0,09% do PIB. Esse cálculo não inclui cerca de 32 bilhões de reais em despesas extraordinárias, que foram excluídas da apuração da meta fiscal, como os gastos com a mitigação dos impactos das enchentes no Rio Grande do Sul.
Os dados apresentados pelo Tesouro também mostraram que, nos dois primeiros anos do governo Lula, o déficit primário foi de 1,19% do PIB. Durante o governo Temer, entre 2016 e 2018, o déficit foi de 2,09% do PIB, e no governo Bolsonaro, entre 2019 e 2022, o déficit chegou a 2,43%.
Henrique Meirelles, que comandou o Ministério da Fazenda no governo Temer, e Paulo Guedes, à frente do Ministério da Economia durante a gestão Bolsonaro, desempenham papéis chave nesse cenário. Para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o ex-presidente Jair Bolsonaro foi responsável pelo maior déficit fiscal da história do Brasil.
Haddad destacou que, embora parte do déficit tenha sido resultado da pandemia, houve também fatores não relacionados à crise sanitária, como a gestão de precatórios e a privatização de estatais, incluindo a venda da Petrobras e a privatização da Eletrobras, que o ministro classificou como “criminosas”. Haddad ainda questionou a falta de honestidade intelectual ao não se discutir abertamente os problemas do país.
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