A volta dos confrontos entre Estados Unidos e Irã empurrou a produção de petróleo da Arábia Saudita para o nível mais baixo em 36 anos. Em agosto, o reino extraiu 6,238 milhões de barris por dia, 1,9 milhão a menos que no mês anterior.
Os números foram enviados por Riad ao secretariado da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e constam do relatório mensal do grupo, ao qual a Bloomberg teve acesso.
Nem em abril, quando a guerra levou a produção ao menor volume desde o início da Guerra do Golfo, o reino havia chegado tão baixo.
Recuperação interrompida
Depois de alguns meses de retomada, o líder da OPEP voltou a sentir o peso do conflito sobre suas rotas de exportação. Os ataques a petroleiros no Golfo Pérsico recomeçaram e levaram o Brent para cima de US$ 100 por barril nesta semana.
A escalada dos combustíveis acelera a inflação e corrói o poder de compra dos consumidores.
O rastreamento de navios-tanque feito pela Bloomberg reforça o quadro. Pelos dados provisórios, as exportações sauditas de petróleo bruto encolheram cerca de um terço em agosto e ficaram perto de 3 milhões de barris por dia.
Tanques compensam parte da queda
Nem todo o petróleo que chegou ao mercado saiu dos poços. Riad declarou à OPEP uma oferta de 7,122 milhões de barris diários, indicador que inclui o volume retirado dos tanques de armazenamento.
Como a oferta superou a extração em 884 mil barris por dia, o dado sugere que o país pode ter recorrido a parte dos seus estoques.
Estimativa externa aponta recuo menor
O relatório da OPEP traz também uma segunda leitura, baseada nas chamadas fontes secundárias. Trata-se de uma média de avaliações de empresas externas, publicada ao lado dos números enviados pelos próprios membros.
Por essa conta, a produção saudita somou 7,276 milhões de barris diários em agosto, apenas ligeiramente abaixo de julho. A estimativa, portanto, supera em mais de 1 milhão de barris por dia o volume declarado por Riad.
Grupo convive com saídas e ameaças
A OPEP, contudo, tem problemas que vão além do Golfo Pérsico. Sua unidade sofre com uma saída recente e com ameaças de novas rupturas.
Os Emirados Árabes Unidos deixaram a organização há poucos meses, depois de anos de frustração com os tetos impostos à própria produção.
Agora é a Venezuela, membro fundador, que avalia com cautela deixar o grupo. O presidente Donald Trump tem aproximado Caracas da influência americana.
No mês passado, Trump fechou um acordo que dá aos EUA controle majoritário sobre uma fatia considerável das reservas de petróleo venezuelanas.
O Iraque completa a lista de insatisfeitos. Bagdá cobra uma avaliação bem mais alta de sua capacidade produtiva e já avisou que poderia sair da OPEP se o número não fosse satisfatório.





