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Goldman Sachs alerta: “os juros vão subir mais” nos EUA

Goldman Sachs alerta: “os juros vão subir mais” nos EUA

Especialista vê pressão estrutural sobre os yields longos por inflação e emissão crescente de títulos pelo Tesouro americano

Os juros dos títulos do governo americano dispararam neste mês, e o movimento mais intenso está concentrado nas maturidades mais longas.

Nesta semana, o yield do Treasury de 30 anos atingiu o maior nível em 19 anos, num sinal de que os investidores estão exigindo prêmios cada vez maiores para carregar dívida soberana americana de longo prazo — e o Goldman Sachs acredita que o movimento ainda não acabou.

Segundo análise de Phillip Lee, chefe de Vendas de Taxa de Dinheiro Real no Goldman Sachs Global Banking & Markets, a alta nos rendimentos reflete uma combinação de fatores simultâneos: inflação persistente, crescimento resiliente, déficits fiscais elevados, pesada oferta de Treasuries e preocupações crescentes com a sustentabilidade da dívida americana.

Treasuries de 30 anos devem continuar subindo

Fonte: Bloomberg e Goldman Sachs / Dados até 20 de maio de 2026

Enquanto os juros de curto prazo subiram, é nas maturidades longas que a pressão se mostra mais expressiva.

“Acho que os juros vão subir mais”, afirma Phillip Lee.

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Na sua visão, os yields de longo prazo devem continuar avançando à medida que os investidores seguem exigindo maior compensação para manter posições em bonds de prazo estendido — dada a perspectiva de inflação mais alta e de aumento no volume de emissão de títulos pelo Tesouro.

Para os juros de curto prazo, Lee espera um comportamento mais influenciado pela política monetária do Fed, que ele projeta como relativamente equilibrada entre altas e cortes nos próximos anos.

Múltiplos vetores por trás da pressão nos rendimentos

O Goldman Sachs destaca que a alta dos yields americanos não tem uma causa única. A combinação de dados de inflação acima do esperado com crescimento econômico resiliente fez os investidores recuarem nas apostas de corte pelo Federal Reserve, precificando pausas e juros mais altos por mais tempo.

Ao mesmo tempo, a persistência dos déficits fiscais, o volume elevado de novas emissões de Treasuries e as dúvidas sobre a trajetória da dívida pública americana estão levando o mercado a demandar um prêmio de risco maior nos vencimentos longos — fenômeno conhecido como aumento do term premium.

O contágio também é global: o avanço dos yields em economias avançadas reforça a pressão sobre os títulos americanos, criando um ciclo de retroalimentação que dificulta qualquer reversão no curto prazo.