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Fomc: o que esperar da primeira reunião com Kevin Warsh?

Fomc: o que esperar da primeira reunião com Kevin Warsh?

Descubra o que esperar da reunião do Fomc sob a presidência de Kevin Warsh e as possíveis mudanças na política monetária

O comitê de política monetária dos Estados Unidos (Fomc, na sigla em inglês) realiza na quarta-feira (17) sua primeira reunião sob o novo presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh. E o que esperar? Segundo o banco BTG Pactual (BPAC11), não deve mudar muita coisa, com a taxa de juros devendo permanecer inalterada na faixa de 3,50% a 3,75%. Porém, pode ocorrer uma inflexão na comunicação da autoridade monetária.

“Nosso cenário base continua sendo de manutenção da taxa de juros ao longo de 2026. Ainda assim, vemos risco crescente de que a discussão sobre novas elevações de juros retorne ao final deste ano, considerando um núcleo de inflação rodando próximo de 3,4% a/a durante boa parte do segundo semestre”, diz o relatório do BTG.

Em um cenário de inflação mais resistente, com o núcleo inflacionário girando em torno de 3,5% ao ano, os modelos baseados na Regra de Taylor indicariam a necessidade de uma política monetária mais restritiva nos Estados Unidos.

Segundo o documento, a média das diferentes projeções aponta para uma taxa de juros próxima de 4,3% em 2026, nível superior ao atualmente praticado pelo Federal Reserve. Essa diferença crescente entre a taxa sugerida pelos modelos e a taxa efetiva se aproxima de patamares que, historicamente, antecederam mudanças na condução da política monetária do banco central americano.

Atividade econômica em alta

O BTG cita ainda que desde a última reunião, os dados de atividade surpreenderam positivamente. O consumo permaneceu robusto, enquanto os fundamentos das famílias seguem relativamente sólidos e o investimento corporativo continua sustentado, pelo ciclo de inteligência artificial (IA) e pela saúde dos balanços das empresas. As estimativas de tracking para o Produto Interno Bruto (PIB) do país do segundo trimestre apontam crescimento entre 2,5% e 2,6%, enquanto as condições financeiras permanecem bastante frouxas.

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“Esse pano de fundo dificulta a avaliação de que a política monetária esteja suficientemente restritiva para promover uma convergência mais rápida da inflação à meta”, relatou o BTG.

Os dados mais recentes da economia americana reduziram os argumentos a favor de uma postura mais branda do Federal Reserve. Segundo análise do BTG Pactual, o mercado de trabalho voltou a mostrar sinais de fortalecimento, com aceleração na criação de empregos medida pelo payroll e melhora das médias móveis de três e seis meses, tanto no setor privado quanto em segmentos que excluem a área de saúde.

Desemprego estabilizado

Além disso, a taxa de desemprego parece ter se estabilizado em torno de 4,3%, enquanto os indicadores de ociosidade do mercado de trabalho deixaram de apresentar deterioração. Embora o crescimento dos salários continue desacelerando — um fator que ajuda a conter pressões inflacionárias —, o banco avalia que esse aspecto tem perdido relevância diante da resiliência da atividade econômica e do emprego.

A inflação, por sua vez, segue sendo a principal preocupação do Fomc. O BTG projeta que o índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE), principal indicador acompanhado pelo banco central americano, acelere para cerca de 4% ao ano na próxima divulgação, acima dos 3,8% registrados anteriormente. Já o núcleo do PCE, que exclui itens mais voláteis, deve subir para aproximadamente 3,4% ao ano.

Para o banco, o cenário para o Fomc é especialmente desafiador porque as pressões inflacionárias já não estão concentradas apenas em bens ou em fatores temporários. Indicadores de inflação de serviços voltaram a ganhar força, enquanto o chamado “supercore” — métrica que exclui componentes mais voláteis e é observada de perto pelo Fed — avançou para perto de 3,8% ao ano. Mesmo quando desconsiderados os serviços financeiros, os dados apontam sinais de reaceleração da inflação, reforçando a cautela da autoridade monetária em relação a cortes de juros.

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