A Totvs (TOTS3), maior fornecedora brasileira de softwares de gestão, segue atrás na recuperação global de tecnologia. Desde 12 de janeiro, véspera da venda generalizada por temor com a inteligência artificial, a ação caiu 29%. O grupo de comparáveis globais recuou apenas 12% no mesmo período.
“As ações da Totvs caíram junto com as globais pelo temor com a disrupção da inteligência artificial, mas ficaram muito atrás na recuperação, apesar de um risco semelhante”, escreveram Lucca R. Brendim e Rogerio Araujo, analistas do Bank of America.
Desde o início de julho, quando o setor global começou a se recuperar, os pares avançaram 24% em média. A Totvs subiu apenas 7% no mesmo intervalo, mesmo com exposição parecida aos riscos da inteligência artificial.
O múltiplo preço sobre lucro projetado para 2027 da Totvs caiu 35% desde a liquidação de janeiro. Entre os pares, a queda foi de 21% no mesmo período. O Bank of America reitera a recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 44.
Receita recorrente deve acelerar com menos cancelamentos
O Bank of America projeta aceleração do ARR (Receita Recorrente Anual, em português) líquido da Totvs. A métrica mede a receita recorrente anual adicionada a cada trimestre, descontados os cancelamentos. O motor esperado é a normalização gradual do churn, a taxa de cancelamento de clientes.
“Esperamos que o ARR líquido da Totvs acelere de forma acentuada, sustentado principalmente pela normalização gradual do cancelamento de clientes”, afirmaram Brendim e Araujo.
No 2º trimestre de 2026, o churn subiu para 2,7%, ante uma média histórica de cerca de 2%. A administração atribuiu a alta ao cenário macroeconômico mais difícil e a casos pontuais de recuperação judicial.
Nesse cenário, o ARR líquido subiria de R$ 209 milhões no 2º trimestre de 2026. No 3º trimestre, a cifra chegaria a R$ 223 milhões. No 4º trimestre, a projeção sobe para R$ 251 milhões, mesmo sem alta no volume de novas vendas.
Diferença de valuation ante pares globais se amplia
O Bank of America comparou a Totvs com um grupo de fornecedoras globais de software corporativo. A lista inclui SAP, Workday, Oracle, Sage e OBIC, com a SAP como a comparação mais direta.
“O prêmio da SAP em relação à Totvs saltou da média de 7% dos últimos cinco anos para 58%”, apontaram os analistas.
A revisão de lucro por ação da Totvs para 2027 caiu 5%, enquanto os pares tiveram alta de 1%. O banco atribui a diferença à integração da Linx, empresa de software incorporada à Totvs. A margem de Ebitda inicial do negócio veio abaixo do esperado.
“A maior revisão negativa de lucro por ação da Totvs reflete principalmente a integração da Linx, e não um enfraquecimento do resultado orgânico”, escreveram Brendim e Araujo.
Bank of America vê espaço para revisões de lucro
Somados, os efeitos de normalização elevariam o ARR líquido trimestral a R$ 307 milhões. O valor fica cerca de 47% acima do reportado no 2º trimestre de 2026. A conta soma a queda do churn, o reajuste de preços pela inflação e a maturação da Linx.
“A ampliação do desconto é difícil de conciliar com o forte momento operacional da Totvs e com o potencial de novas revisões para cima”, concluíram os analistas.
As estimativas de Ebitda do banco para 2027 e 2028 já estão de 4% a 6% acima do consenso. Ainda há espaço para revisões adicionais para cima. Por isso, o Bank of America reitera a Totvs como sua principal escolha em tecnologia na América Latina.






