O IPCA de junho mexeu com as contas do Bank of America. Depois da inflação de 0,16% divulgada nesta sexta-feira (10), o banco abandonou a aposta de Selic parada em agosto: “estamos mudando o call para a próxima reunião de política monetária de manutenção para um corte de 25 pontos-base”, escreveram os economistas David Beker, Natacha Perez e Gustavo Menses. Com isso, a taxa iria a 14% ao ano.
A surpresa foi de tamanho considerável. O índice desacelerou dos 0,58% de maio e ficou bem abaixo tanto do consenso (0,31%) quanto da projeção do próprio BofA (0,36%). Em 12 meses, a inflação cedeu de 4,72% para 4,64%.
Queda espalhada, não pontual
No detalhe, os alimentos lideraram o alívio — a contribuição do grupo virou de 29 pontos-base positivos em maio para 5 negativos, com destaque para tomate e batata. A energia elétrica também ajudou, já que a bandeira amarela foi apenas mantida em junho, sem o salto tarifário do mês anterior.
O que convenceu o banco, no entanto, foi a largura do movimento.
“A desinflação também ficou evidente em agregados mais amplos e relevantes, como o índice de difusão e as medidas de núcleo“, apontou o trio — a difusão caiu de 65% para 53,6% dos itens, e a média dos núcleos desacelerou de 0,45% para 0,21% no mês.
O quadro externo completou o argumento: o petróleo tem se mantido relativamente estável abaixo de US$ 80 o barril, e o relatório de emprego americano da semana passada veio benigno.
E depois de agosto?
O corte, porém, não inaugura necessariamente uma sequência.
“Para a reunião seguinte, nosso cenário-base ainda é de manutenção, mas há risco de mais um corte de 25 pontos-base, a depender da evolução dos preços do petróleo”, ponderaram os economistas do BofA.
Nas projeções de inflação, o banco não mexeu — por ora.
“Continuamos a esperar o IPCA em 5,5% no fim de 2026, mas com riscos de baixa”, concluíram Beker, Perez e Menses, que veem o índice arrefecendo para 4,7% no fim de 2027 e 3,5% no fim de 2028.






