Estados Unidos e Israel lançaram um ataque massivo ao Irã na madrugada de sábado (28), matando mais de 200 pessoas, segundo a mídia iraniana. “Nosso objetivo é defender o povo americano eliminando ameaças iminentes do regime iraniano, um grupo cruel de pessoas muito duras e terríveis”, disse o presidente Donald Trump em mensagem de vídeo.
Trump confirmou posteriormente reportagens da mídia, citando alegações israelenses, de que o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, foi morto em ataques aéreos. “Khamenei, uma das pessoas mais malvadas da história, está morto”, afirmou em postagem no Truth Social. O Irã não confirmou relatos da morte do líder supremo.
O Irã lançou contra-ataques a múltiplas cidades no Oriente Médio, incluindo Jerusalém, com explosões ouvidas nessas cidades.
Escalada pode migrar para energia e logística
Para Stephen Dover, estrategista-chefe da Franklin Templeton, em análise divulgada neste sábado, a “Operação Fúria Épica” representa mais que um ataque pontual. “A mensagem explícita de Trump sobre mudança de regime aumenta as probabilidades de estarmos olhando para uma campanha sustentada, não uma troca contida”, afirma Dover.
O estrategista destaca que “o fator decisivo é se a escalada permanece militar para militar ou migra para disrupção de energia + logística, incorporando um prêmio de risco mais alto (e mais persistente)”.
Estreito de Hormuz como “disjuntor macro”
Dover enfatiza que “o Estreito de Hormuz é o disjuntor macro” da crise. Em 2024, fluxos pelo Estreito totalizaram em média cerca de 20 milhões de barris/dia (aproximadamente 20% do consumo global de líquidos de petróleo).
“Mesmo disrupção parcial (trânsitos mais lentos, redirecionamentos, apreensões) reprecifica via prêmio de risco bem antes de escassez física aparecer”, explica.
Seguradoras já estão emitindo avisos de cancelamento e reprecificando cobertura de risco de guerra no Golfo, com aumentos reportados de até 50% para algumas viagens.
Sem consenso sobre sucessão complica cenário
“Mesmo se a pressão sobre o regime aumentar, não há coalizão sucessora clara e amplamente legítima — elevando a probabilidade de fragmentação e lacunas de governança (o cenário que os atores regionais temem, estilo Iraque)”, adverte Dover.
A reação de mercado típica seria yields do Tesouro mais baixos e ações em queda — principalmente reprecificação de prêmio de risco.
“Historicamente, a geopolítica frequentemente produz um salto inicial nos prêmios de risco antes que investidores concluam que o impacto agregado nos lucros é modesto. Ainda não rotularíamos isso como uma configuração limpa de comprar na queda“, conclui o estrategista.






