A eleição presidencial no Peru segue aberta, segundo relatório do BTG Pactual. Com 71,3% das urnas apuradas, Keiko Fujimori aparecia à frente na contagem oficial, com 52,55% dos votos, contra 47,45% de Roberto Sánchez, candidato do Juntos por el Perú. A vantagem era de cerca de 706,7 mil votos.
Apesar da liderança inicial de Fujimori, o banco destaca que os primeiros resultados tendem a vir de áreas urbanas, onde a candidata costuma ter melhor desempenho. As contagens rápidas, por outro lado, indicavam vantagem estreita para Sánchez.
A Transparencia-Ipsos projetava 50,3% para o candidato de esquerda e 49,7% para Fujimori, enquanto a Datum estimava 50,14% contra 49,86%. Como ambas as projeções estão dentro da margem de erro, o cenário segue incerto.
O BTG avalia que a divulgação do resultado final pode levar até três semanas, principalmente por causa da inclusão dos votos de regiões rurais, fator que prolonga o período de indefinição política.
Senado ganha peso na governabilidade
Além da disputa presidencial, a eleição marca a volta do sistema bicameral no Peru, com a recriação do Senado ao lado da Câmara dos Deputados. Para o BTG, essa mudança pode aumentar a estabilidade institucional, já que processos de impeachment passam a exigir maioria de dois terços nas duas casas.
O Senado também terá papel relevante na aprovação de leis, nomeações de alto nível, tratados internacionais, decretos e reformas constitucionais. Como o bloco de Fujimori ocupa 22 das 60 cadeiras, a composição da Casa será decisiva para a relação entre Executivo e Legislativo.
Mercado já precificou parte do otimismo
O relatório aponta que as ações peruanas tiveram forte desempenho no ano e lideraram os ganhos na América Latina, movimento que sugere que investidores já consideravam uma vitória de Fujimori como cenário provável. Por isso, o BTG vê chance de realização de lucros no curto prazo.
Uma vitória de Fujimori, na avaliação dos analistas, poderia sustentar um ciclo de crescimento, com foco em investimento privado, mineração, energia e diversificação econômica. Nesse cenário, o banco vê potencial de retornos acima de 30% em 12 meses, caso haja avanços em licenças e regras ambientais.
Sánchez representa risco, mas não ruptura
No caso de vitória de Roberto Sánchez, o BTG vê maior risco de queda nos ativos peruanos. O banco lembra a eleição de Pedro Castillo, em 2021, quando os mercados chegaram a cair mais de 30%, embora tenham se recuperado em seis meses.
Ainda assim, os analistas não projetam uma ruptura estrutural da economia peruana. O cenário mais provável seria de crescimento abaixo do potencial, atritos políticos e menor confiança dos investidores.






