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Construtoras de médio e alta padrão irão sofrer mais com fim da escala 6×1

Construtoras de médio e alta padrão irão sofrer mais com fim da escala 6×1

Empresas terão que decidir entre expandir o quadro de funcionários ou arcar com o pagamento de horas extras

A possível implementação de uma jornada de trabalho reduzida, com o fim da escala 6×1, promete sacudir os canteiros de obras em todo o Brasil, com um impacto desproporcional sobre as construtoras de média e alta renda.

Segundo uma análise do BTG Pactual, embora o setor como um todo enfrente desafios, as empresas que atendem aos segmentos mais luxuosos serão as mais afetadas devido à sua natureza intensiva em mão de obra, que utiliza processos menos padronizados que os projetos de baixa renda.

A mudança na legislação forçará as empresas a decidirem entre expandir o quadro de funcionários ou arcar com o pagamento de horas extras para manter o cronograma das obras.

Em seu relatório, o BTG Pactual é categórico: “esta medida deve impor pressão adicional sobre a dinâmica trabalhista para as construtoras e certamente se traduzirá em custos de construção globais mais elevados”. O aumento estimado nos custos laborais para o setor, segundo dados da CNI, pode variar entre 8,8% e 13,2%.

Sob pressão

A estrutura de custos das incorporadoras já opera sob pressão, e o novo cenário agrava a situação.

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O BTG Pactual destaca que “a mão de obra representa aproximadamente 30% da estrutura de custos total de uma construtora”, número que oscila conforme o método construtivo aplicado. No caso das empresas de médio e alto padrão, o peso do trabalho humano é ainda mais relevante.

O relatório conclui que a vulnerabilidade desse segmento é superior à da baixa renda, onde os materiais de construção têm maior peso relativo.

Para os analistas, “as construtoras de média/alta renda tendem a sofrer mais, pois são mais intensivas em mão de obra do que as incorporadoras de baixa renda”. Se aprovada, a medida deve resultar em uma compressão generalizada das margens de lucro, especialmente em um mercado onde a capacidade do consumidor de absorver novos aumentos de preço já está no limite.