O Banco Central da China (PBoC, na sigla em inglês) anunciou nesta segunda-feira (20) que as principais taxas de juros de referência permaneceram inalteradas. A taxa de empréstimo primário (LPR) de um ano foi mantida em 3,1%, enquanto a taxa de cinco anos seguiu em 3,6%.
Essa decisão marca o terceiro mês consecutivo sem alterações nas taxas, após a flexibilização da política monetária em outubro, com o objetivo de estimular a demanda doméstica.
O anúncio, que define as taxas de referência para a maioria dos empréstimos corporativos e domésticos, ocorre em um contexto de compromissos reiterados do governo chinês em ampliar o suporte monetário à economia ao longo deste ano. Entre os fatores que podem ter influenciado a manutenção das taxas estão a incerteza ligada à posse do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, além da volatilidade do yuan e dos títulos do governo chinês.
Em dezembro, líderes chineses prometeram ajustar a política monetária para uma postura “moderadamente frouxa”, abandonando a abordagem anterior, considerada “prudente”, a fim de enfrentar os desafios crescentes na segunda maior economia do mundo. Economistas projetam novos cortes nas taxas básicas e reduções nos requisitos de reservas obrigatórias para os bancos em 2025.
Juros da China: PIB conseguiu atingir meta do governo
O Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 5% em 2024, cumprindo a meta estabelecida pelo governo e reforçando a resiliência da segunda maior economia do mundo. Os dados foram divulgados na sexta-feira (17) pelo Escritório Nacional de Estatísticas do país (NBS, na sigla em inglês).
No quarto trimestre, o crescimento foi de 5,4% em relação ao mesmo período de 2023, superando as expectativas do mercado, que projetavam uma alta de 4,9%. O desempenho no trimestre final do ano também representa uma aceleração em relação ao terceiro trimestre de 2024, quando o PIB avançou 4,6%. Já na comparação com o trimestre anterior, o PIB registrou uma alta de 1,6%, consolidando sinais de recuperação.
Mais dados divulgados
Além do PIB, outros indicadores econômicos reforçaram a solidez da recuperação econômica chinesa. A produção industrial apresentou um crescimento de 6,2% em dezembro na comparação anual, acima da expectativa de 5,3%. As vendas no varejo também superaram as projeções, com alta de 3,7% frente à previsão de 3,5%.
Desafios demográficos persistem
Apesar do desempenho econômico positivo, a China enfrenta um desafio significativo no campo demográfico. A população do país diminuiu pelo terceiro ano consecutivo, totalizando 1,408 bilhão de pessoas ao final de 2024, uma redução de 1,39 milhão em relação a 2023.
Esse declínio reflete o envelhecimento populacional e a queda na taxa de natalidade, uma tendência observada em várias nações da Ásia Oriental, como Japão e Coreia do Sul. O fenômeno, associado à redução da força de trabalho, pode impactar o crescimento econômico no médio e longo prazo, pressionando o governo a implementar políticas para mitigar esses efeitos.
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