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Veja o que importa para os mercados nesta quinta-feira

Veja o que importa para os mercados nesta quinta-feira

Resultados da Micron e projeções da Qualcomm até 2029 impulsionam recuperação do setor de semicondutores após dias de instabilidade

Os mercados financeiros desta manhã de quinta-feira (25) operam com recuperação relevante no setor de semicondutores, após dias de instabilidade. O impulso vem dos resultados da Micron e das projeções otimistas da Qualcomm para seu desempenho até o ano fiscal de 2029, trazendo alívio a um setor que havia sido pressionado nas sessões anteriores.

Ademais, às 9h o IBGE divulgará o IPCA-15 de junho, para o qual a Ativa Investimentos espera alta de 0,39%, ante a perspectiva mediana do mercado de 0,44%. Os dados-chave das divulgações de meio de mês são as variações de subitens que se repetem no fechado e que têm trazido grande volatilidade ao índice geral, como, por exemplo, passagem aérea.

“Claro que uma surpresa para qualquer lado terá grande relevância neste período em que o Copom vem sendo questionado. De todo modo, seguimos com foco nos subitens supracitados e no comportamento estrutural da inflação”, aponta a corretora.

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Além disso, o mercado avalia o relatório de política monetária divulgado nesta manhã. Às 11h o BC fará uma coletiva sobre o tema, rompendo o período de silêncio.

“Avaliamos que a autoridade deverá se concentrar no que foi divulgado na ata, que teve melhor aceitação dos agentes, ao passo que o comportamento dos preços internacionais, notadamente o do petróleo, deixa os comentários sobre a decisão da semana passada bem datados, tornando as condições atuais bem mais alinhadas com o afrouxamento monetário”, diz a Ativa.

Cenário internacional

O petróleo segue como o outro grande destaque da manhã, com os futuros do bruto atingindo níveis pré-guerra. Contudo, Paul Donovan, economista-chefe do UBS, faz um alerta importante:

“Os fluxos atuais de petróleo são apenas uma fração dos níveis pré-guerra, e as refinarias refinam petróleo real, não petróleo futuro hipotético.”

A queda dos futuros, portanto, ainda não se traduziu em alívio equivalente para o consumidor final.

Nos Estados Unidos, os preços da gasolina ao consumidor permanecem cerca de um terço acima dos patamares anteriores ao conflito. No Reino Unido, o avanço é de aproximadamente 10%, refletindo estruturas tributárias distintas.

Segundo Donovan, “os preços devem cair ao longo do tempo, mas o potencial custo político dessa discrepância já provocou a ira do presidente Trump.”

A queda do petróleo é influenciada por múltiplos fatores. A possibilidade de o Iraque rever sua participação na OPEP caso não obtenha ampliação significativa de suas cotas de produção e a redução nos custos de seguros para transporte marítimo no Estreito de Ormuz — sugerindo menor percepção de risco na região — contribuem para o movimento. Negociações entre Israel e Líbano envolvendo ajustes territoriais também sinalizam possível distensão geopolítica.

No campo econômico, os dados de renda e gastos dos consumidores americanos em maio entram no radar desta quinta-feira.

Para Donovan, “o consumidor americano demonstrou determinação impressionante em continuar comprando ao longo dos choques tarifários e de petróleo, reduzindo a poupança mesmo com o crescimento real da renda tornando-se negativo — e não há razão para supor que isso tenha mudado.”

A revisão do PIB americano do primeiro trimestre também está na agenda, mas deve receber pouca atenção dos mercados.

O debate sobre inteligência artificial segue presente. Apesar de prometer ganhos futuros de eficiência, a IA atualmente se associa mais ao aumento de preços, especialmente pela forte demanda por componentes de memória — o que explica parte da reação positiva aos resultados da Micron.

Donovan pondera que os pedidos de bens duráveis podem ser levemente mais interessantes do que o PIB revisado, mas ressalta que “os equipamentos de IA não são exatamente uma história de fabricação americana.”

Na Europa, a agenda de dados está vazia. Entretanto, o Banco Central Europeu (BCE) volta às atenções com mais pronunciamentos, incluindo o do economista-chefe Philip Lane. Com ironia,

Donovan observa que “há momentos em que pode haver excesso até de uma coisa boa” — a agenda desta semana acumula nada menos do que 14 aparições de membros do BCE, elevando o risco de ruído comunicacional em um momento em que os mercados buscam clareza sobre os próximos passos da política monetária europeia.

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