O Brasil poderá atingir cerca de 10 GW em recursos voltados à flexibilidade do sistema elétrico até 2035, segundo estimativas da Empresa de Pesquisa Energética. O número combina aproximadamente 7 GW de armazenamento de energia e 3 GW de resposta da demanda, conforme apresentado no Plano Decenal de Energia 2035.
As projeções foram debatidas durante evento do setor e refletem a crescente necessidade de adaptação do Sistema Interligado Nacional diante da expansão de fontes renováveis intermitentes, como solar e eólica.
Com maior participação dessas fontes, o sistema tende a enfrentar variações mais intensas na carga ao longo do dia. Isso aumenta a importância de soluções capazes de equilibrar, em tempo real, a oferta e a demanda de energia.
Flexibilidade entra no centro da agenda
Durante o encontro, especialistas destacaram a urgência de contratação de recursos de flexibilidade. A expectativa é que, nos próximos anos, os níveis mínimos de carga líquida recuem, enquanto as oscilações, conhecidas como rampas, se tornem mais acentuadas.
Esse movimento impõe desafios operacionais relevantes e exige respostas rápidas do sistema elétrico, seja por meio de baterias, seja por mecanismos de resposta do consumo.
Apesar do potencial, a expansão desses recursos ainda depende de avanços regulatórios. A ausência de um modelo claro de remuneração e de um marco legal estável é apontada como um dos principais entraves para o desenvolvimento do mercado de armazenamento no país.
Em relatório, analistas da Ágora Investimentos e do Bradesco BBI classificam as projeções como positivas para a WEG, ainda que sem impacto imediato em suas estimativas.
“A indicação de que o armazenamento de energia pode atingir cerca de 10 GW até 2035 é um sinal construtivo”, afirmam. Segundo eles, a expansão deve ser amplamente atendida por sistemas de baterias (BESS), o que tende a sustentar a demanda pelas soluções da companhia.
Os analistas também ressaltam que a futura fábrica de BESS da WEG, prevista para entrar em operação no segundo semestre de 2027, reforça o posicionamento estratégico da empresa nesse segmento.
Ainda assim, ponderam que o avanço do mercado dependerá de novas contratações além dos leilões já previstos. “A concretização desse potencial segue atrelada a avanços regulatórios e à definição de um marco legal estável”, concluem.






