O ex-presidente Jair Bolsonaro apresentou piora clínica e elevação da pressão arterial, conforme informado em novo boletim médico divulgado nesta quinta-feira (24).
Internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital DF Star, em Brasília, Bolsonaro também teve uma piora nos “exames laboratoriais hepáticos” e continuará passando por exames de imagem ao longo do dia.
O boletim destaca que ele permanece em jejum oral, recebendo apenas nutrição parenteral, e segue com sessões de fisioterapia motora e medidas preventivas contra trombose venosa.
Sem previsão de alta
O estado de saúde de Bolsonaro ainda inspira cuidados. Segundo os médicos, ele continua na UTI e não há previsão de alta. A recomendação é que o ex-presidente não receba visitas durante este período. A equipe médica responsável inclui especialistas em cirurgia, cardiologia e terapia intensiva.
A piora clínica ocorre após uma semana movimentada, mesmo com a internação. Bolsonaro foi submetido no último dia 13 a uma cirurgia de 12 horas para tratar uma obstrução intestinal e reconstruir parte da parede intestinal.
Essa foi a sexta intervenção cirúrgica desde o atentado a faca que sofreu durante a campanha eleitoral de 2018. Segundo os médicos, a obstrução recente foi causada por uma dobra no intestino delgado.
Atividades públicas durante a internação
Mesmo internado, Bolsonaro participou de atividades públicas nesta semana. Na segunda-feira (21), concedeu uma entrevista ao SBT diretamente do hospital, com duração de cerca de 40 minutos.
No dia seguinte, participou de uma live ao lado dos filhos — os deputados Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro — para promover um capacete de proteção. Durante a transmissão, chegou a afirmar que esperava receber alta na próxima segunda-feira: “Talvez daqui a dois dias eu fique livre da sonda nasogástrica, daí já começam a melhorar mais as coisas por aqui. Acredito que na segunda-feira esteja de alta”, disse.
Intimação do STF e reação
Nesta quarta-feira (23), Bolsonaro foi oficialmente intimado por um oficial de Justiça no próprio hospital, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). A Corte informou que aguardava uma oportunidade para proceder com a intimação desde a internação do ex-presidente. “A divulgação de live realizada pelo ex-presidente na data de ontem [terça-feira] demonstrou a possibilidade de ser citado e intimado hoje”, declarou o STF em nota.
Em entrevista ao SBT, Bolsonaro justificou sua fala pública como forma de evitar “narrativas” e voltou a criticar ações ligadas às investigações da chamada trama golpista. A piora clínica vem justamente após essa sequência de eventos públicos e judiciais, levantando questionamentos sobre os impactos dessas atividades na recuperação do ex-presidente.
Atenção médica redobrada
O caso de Bolsonaro é considerado delicado. O histórico cirúrgico intenso e a condição atual exigem vigilância contínua. O boletim divulgado conta com a assinatura de seis médicos, entre eles o cirurgião-chefe Dr. Cláudio Birolini e o cardiologista Dr. Brasil Caiado, o que reforça a complexidade do acompanhamento necessário neste momento. A equipe monitora de perto os sinais vitais, focando na estabilização da pressão arterial e no controle das alterações hepáticas detectadas.






