SAÍDA FISCAL DO BRASIL: VALE A PENA?
Compartilhar no LinkedinCompartilhar no FacebookCompartilhar no TelegramCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsApp
Compartilhar
Home
Notícias
Economia
As stablecoins vão substituir os bancos? A revolução já começou…

As stablecoins vão substituir os bancos? A revolução já começou…

Moedas como USDC e USDT deixaram o nicho cripto e já influenciam mercados tradicionais, do sistema de pagamentos ao mercado de Treasuries

As stablecoins — em especial USDC (Circle) e USDT (Tether) — deixaram de ser apenas um meio de liquidação em cripto para se tornarem um sistema monetário paralelo em rápido amadurecimento.

A avaliação é do gestor Robert Burrows (M&G Investments), em relatório no Bond Vigilants, que descreve o fenômeno como uma “revolução silenciosa” com implicações profundas para bancos, crédito e estabilidade financeira. Segundo ele, as stablecoins “unem a velocidade e a programabilidade das criptomoedas com a estabilidade de preço do dinheiro tradicional”.

O que são: stablecoins são tokens digitais projetados para manter valor estável, normalmente atrelados ao dólar, com reserva lastreada em ativos seguros (como Treasuries). Embora existam arquiteturas diferentes, as do tipo fiat-backed dominam o mercado e respondem pela maior parte do uso — caso de USDC e USDT.

Por que importam: a inovação não é apenas cosmética. Burrows argumenta que o avanço dessas moedas reconfigura pagamentos e liquidação, com transferências quase instantâneas 24/7, sem depender das redes tradicionais de correspondentes.

Publicidade
Publicidade

Em remessas internacionais, podem reduzir custos de forma drástica quando comparadas ao SWIFT. Em suas palavras, trata-se de um movimento que já é discutido “como um sistema monetário paralelo — com implicações profundas para bancos, criação de crédito e estabilidade”.

Escala e efeitos colaterais

O impacto já aparece no mercado de dívida pública dos EUA. O Tether emergiu como um grande comprador institucional de Treasuries, ao ponto de, hoje, figurar como o 17º maior detentor de títulos do Tesouro no mundo — um dado que ilustra como reservas de stablecoins se tornaram demand drivers relevantes para a dívida americana.

Fonte: Departamento de Tesouro dos EUA

Regulação e desenho de incentivos

Burrows ressalta a importância do arcabouço regulatório que passou a delimitar o papel das emissoras. Um ponto crítico é a proibição de pagar juros diretamente aos detentores — medida que busca manter as stablecoins “como dinheiro, não como produtos de investimento”.

Na prática, plataformas terceiras podem repassar parte do rendimento obtido pelas reservas (por exemplo, via “staking”/yield), mas sem garantia e com riscos de entendimento limitado pelo público, o que ainda freia a adoção massiva como instrumento de poupança.

Por que é “silenciosa”

Enquanto o debate geopolítico domina as manchetes, o avanço das stablecoins passa ao largo do grande público, observa Burrows.

“Com a geopolítica no centro do palco, os abalos sísmicos da atividade de stablecoins passam praticamente despercebidos”, escreve o gestor, sublinhando que a transformação corre “abaixo do radar” — mas já realoca poder entre intermediários financeiros e cria novas interdependências entre cripto e finanças tradicionais.

O que observar: a difusão como meio de pagamento e liquidação, a gestão de reservas (qualidade/ duration), e a evolução regulatória serão determinantes para a próxima etapa. Se o lastro continuar majoritariamente em Treasuries de curto prazo, a simbiose entre stablecoins e dívida pública dos EUA tende a crescer — consolidando, de forma “silenciosa”, um novo canal de transmissão entre cripto e macrofinanças.

Quer saber mais sobre investimentos no exterior? Clique aqui para conferir no material os 10 melhores ativos para investir fora e exclusivo da EQI+.