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André Esteves vê dois legados para o próximo governo: instituições fortes e juros baixos

André Esteves vê dois legados para o próximo governo: instituições fortes e juros baixos

Durante o Macro Day do BTG Pactual, banqueiro afirmou que país tem oportunidade de reforçar a institucionalidade e levar os juros a um dígito

O próximo governo terá a oportunidade de deixar dois legados ao Brasil: instituições mais fortes e juros de um dígito. A avaliação é de André Esteves, chairman e sócio sênior do BTG Pactual (BPAC11), que abriu o Macro Day nesta segunda-feira (31), antes das participações do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro da Fazenda, Dario Durigan.

Segundo Esteves, o primeiro legado está ligado à institucionalidade. O segundo depende de corrigir o crescimento da dívida pública para permitir uma redução sustentável dos juros.

“No próximo ciclo eleitoral, o Brasil tem a oportunidade de criar legados. Basicamente, dois grandes legados. Um é relacionado à institucionalidade”, afirmou Esteves.

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Instituições precisam vencer avanço do crime organizado

Esteves avaliou que o Brasil avançou na defesa das instituições nos últimos 12 meses. Para ele, a sociedade demonstrou possuir “anticorpos” contra movimentos de ruptura, mas a disputa ainda não está encerrada.

Entre os riscos, o banqueiro citou a infiltração do crime organizado nas instituições e o crescimento de empresas informais em mercados regulados. O legado de um novo governo, na sua visão, deve ser garantir instituições atuantes e capazes de proteger as condições necessárias ao desenvolvimento.

“A batalha foi vencida, mas a guerra continua. A maneira como o crime organizado continua se infiltrando nas instituições e como empresas informais crescem em mercados regulados ainda surpreende. A gente está no caminho certo, mas precisa vencer essa guerra”, declarou.

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Juros de um dígito seriam legado econômico

Na frente econômica, Esteves afirmou que o país apresenta fundamentos melhores do que em diferentes momentos das últimas três décadas. Ele mencionou reservas cambiais de US$ 370 bilhões, déficit em conta corrente inferior ao investimento direto estrangeiro, inflação entre 4% e 4,5%, desemprego baixo, mercado de capitais ativo e sistema financeiro sólido.

O ponto fora do lugar, segundo o banqueiro, é a velocidade de crescimento da dívida pública. Esteves defendeu que a questão seja tratada de maneira técnica, e não ideológica, para abrir espaço a uma queda estrutural dos juros.

“Nós estamos com juros de 14% e podemos ter juros de 7%. Não somos condenados, por sermos brasileiros, a viver nesse ambiente. É um ambiente muito hostil para a atividade econômica, ruim para a indústria, o varejo, o empreendedorismo e os bancos”, afirmou.

Esteves também rejeitou a ideia de que juros elevados beneficiam o setor bancário. Para ele, levar as taxas de forma sustentável a um dígito transformaria a economia e teria impacto especialmente relevante sobre a população de menor renda.

“Ir para um juro de 7%, 8%, 9% ou 6%, ou seja, um juro de um dígito sólido, é uma enorme transformação da sociedade, principalmente para a base da pirâmide, que é a que mais sofre com isso”, afirmou.

Para Esteves, alcançar esse patamar é possível e deveria se tornar o legado econômico do próximo governo.