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Decisão do Copom: Selic vai a 13,25%, como esperado pelo mercado

Decisão do Copom: Selic vai a 13,25%, como esperado pelo mercado

Matheus Gagliano

Matheus Gagliano

15 Jun 2022 às 18:47 · Última atualização: 15 Jun 2022 · 5 min leitura

Matheus Gagliano

15 Jun 2022 às 18:47 · 5 min leitura
Última atualização: 15 Jun 2022

Selic

A decisão do Copom (Comitê de Política Econômica) do Banco Central foi elevar a taxa Selic em 0,5 ponto percentual, para 13,25% ao ano, em reunião encerrada nesta quarta-feira (15). A conclusão foi tomada pelo colegiado por unanimidade e confirmou a expectativa do mercado.

Segundo o colegiado, para a próxima reunião, pode ocorrer um novo ajuste, de igual ou menor magnitude. A crescente incerteza da atual conjuntura, aliada ao estágio avançado do ciclo de ajuste e seus impactos ainda por serem observados, demanda cautela adicional, conforme relata a nota do comitê.

O Copom relata, no entanto, que os próximos passos da política monetária poderão ser ajustados para assegurar a convergência da inflação para suas metas. O que dependerá da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação para o horizonte relevante da política monetária.

Além disso, a nota do comitê relata que a decisão reflete a incerteza ao redor de seus cenários e um balanço de riscos com variância ainda maior do que a usual para a inflação prospectiva, e é compatível com a estratégia de convergência da inflação ao redor da meta ao longo do horizonte relevante, que inclui o ano-calendário de 2023.

gráfico com elevação da Selic
Fonte: EQI Investimentos

Decisão Copom: o cenário macro e sua influência

O cenário global se manteve com os mesmos desafios: apesar da redução do lockdown em importantes cidades chinesas, a extensão do conflito no Leste-europeu mantém pressionados os preços de commodities e bens industriais.

No Brasil, medidas de combate à inflação chegaram ao Congresso, e podem significar forte redução na inflação de 2022, mas mantêm pressionadas as expectativas para 2023, acima do teto da meta também para o próximo ano.

O IPCA foi de 0,47% em maio, resultado abaixo do consenso, diz Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Asset, para quem a expectativa era de 0,60% no período.

No ano, o IPCA acumula alta de 4,78% e, nos últimos 12 meses, de 11,73%, abaixo dos 12,13% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em maio de 2021, a variação havia sido de 0,83%.

De acordo com Kautz, o IPCA mostra sinal de arrefecimento dos preços industriais (bens duráveis), que foram importante foco de pressão nos últimos 12 meses.

“A parte de núcleo, que exclui os itens mais voláteis, também mostrando sinais de estabilização. Ainda assim, é uma inflação muito alta, mas que parece ter parado de piorar. A expectativa é de que nos próximos meses essa inflação comece a desacelerar e, assim, o Banco Central possa encerrar o ciclo de alta dos juros”, destacou.

Tá, e aí?

Para Elias Wiggers, uma Selic desta magnitude não é novidade para o mercado, que já vinha trabalhando com esses patamares desde o início do ano. E isto significa que as recomendações para os investimentos seguem as mesmas.

“Já vínhamos recomendando aos clientes atrelar boa parte do patrimônio à renda fixa. Pós-fixados estão em elevação, pré-fixados já estão interessantes, porque os contratos de DI futuro já precificam essa Selic mais alta”, ele diz.

E complementa:

“Para quem pensa mais a longo prazo, vale aproveitar IPCA+, que tem bastante gordura pra aproveitar para períodos maiores do que 5, 6, 7 anos. Tem muita coisa aparecendo”.

Uma das recomendações da EQI, inclusive, é alongar o prazo de vencimento dos títulos, negociando os mesmos no mercado secundário – e você entende como fazer isso, clicando nos links e conferindo também nosso vídeo a respeito.

Decisão Copom e renda variável

Já quanto à renda variável, segue a cautela:

“Recomendamos muita cautela na exposição à renda variável, enquanto esse patamar de juro perdurar”, afirma Wiggers.

Para o investidor que se sentir mais preparado para o atual momento, há boas oportunidades, mas elas precisam ser bem selecionadas.

“O mercado hoje apresenta excelentes oportunidades acionárias, principalmente se a gente observar que as quedas das bolsas são de mais de 20%. Então, tomem cuidado, façam uma seleção adequada dos ativos, mas não deixem de observar que a oportunidade existe, porque ela existe”, pontua o assessor Rômulo Luz, da EQI.  

Selic e os FIIs

E qual a repercussão para os fundos imobiliários?

Na visão de Felipe Paletta, fundador da casa de análise Monett, tão importante quanto a decisão do Copom em si é a expectativa que se forma quanto à futura queda dos juros.

“Para os fundos imobiliários, vai ser muito, muito bom, quando o Copom sinalizar que chegamos ao fim do ciclo de alta da taxa de juros”, ele diz.

Em sua visão, os fundos de papel tendem a continuar a repassar bons dividendos no curto prazo. E os fundos de tijolo, com a queda dos juros, voltam a ganhar os holofotes.

“Os maiores descontos, hoje, estão nos fundos de tijolo. Você deveria olhar com mais atenção para eles. Vejo que as lajes corporativas e os shopping centers não estão ganhando olhar atendo dos investidores e estão muito descontados”, aponta.

Quer saber mais sobre como a decisão do Copom impacta os seus investimentos? Preencha o cadastro que um assessor da EQI Investimentos irá entrar em contato.

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