Economia
arrow-bc
Notícias
arrow-bc
Ata do Copom: ambiente externo segue deteriorado; haverá novo ajuste em agosto

Ata do Copom: ambiente externo segue deteriorado; haverá novo ajuste em agosto

Osni Alves

Osni Alves

21 Jun 2022 às 08:35 · Última atualização: 21 Jun 2022 · 9 min leitura

Osni Alves

21 Jun 2022 às 08:35 · 9 min leitura
Última atualização: 21 Jun 2022

foto de prédio do Banco Central

Reprodução/BC

O Banco Central do Brasil divulgou a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) na manhã desta terça-feira (21) dando conta de que “o ambiente externo segue deteriorado”.

A autoridade monetária também elencou, no documento, que “haverá ajuste de igual ou menor magnitude na próxima reunião do Copom”, que acontecerá dias 2 e 3 de agosto de 2022.

A afirmação da instituição diz respeito à Selic, que é a taxa básica de juros da economia brasileira, que foi elevada na última semana, passando de 12,75% ao ano para 13,25% ao ano – um aumento de 0,5 ponto percentual.

No documento, o Bacem elenca que o Copom debateu a sinalização para a próxima reunião, e frisa: “dada a persistência dos choques recentes, o Comitê avaliou que somente a perspectiva de manutenção da taxa básica de juros por um período suficientemente longo não asseguraria, neste momento, a convergência da inflação para o redor da meta no horizonte relevante”.

Também disse que “o Comitê optou então, por sinalizar, um novo ajuste de igual ou menor magnitude. Essa estratégia foi considerada a mais adequada para garantir a convergência da inflação ao longo do horizonte relevante”.

gráfico com evolução da selic
Reprodução/EQI

Ata do Copom: projeções

Conforme as projeções que constam na ata, para 2022 a projeção para o IPCA está em 8,8% e, para 2024, em 2,7%. Já a projeção para 2023 está acima do centro da meta (3,25%), mas abaixo do limite superior, de 4,75%. Em se tratando de 2024, a estimativa está abaixo do alvo central (3,00% — entre 1,50% e 4,50%). Por fim, para para 2022 a projeção do BC segue indicando novo rompimento da meta.

BC/Ata Copom: ambiente externo segue deteriorado’; haverá ajuste igual na próxima reunião

Ata do Copom: crescente incerteza da atual conjuntura

A instituição financeira ressalta, no documento, que o Comitê nota que a crescente incerteza da atual conjuntura, aliada ao estágio avançado do ciclo de ajuste e seus impactos ainda por serem observados, demanda cautela adicional em sua atuação.

Além disso, o Copom enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar a convergência da inflação para suas metas, e dependerão da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação para o horizonte relevante da política monetária.

Outro ponto de atenção diz respeito ao ciclo de aperto monetário corrente, visto que este “foi bastante intenso e tempestivo e que, devido às defasagens de política monetária, ainda não se observa grande parte do efeito contracionista esperado bem como seu impacto sobre a inflação corrente”.

“O Comitê notou que ocorreu deterioração tanto na dinâmica inflacionária de curto prazo quanto em suas projeções mais longas, ainda que o cenário esteja cercado de incerteza e volatilidade acima do usual”, destacou no documento.

Tá, e aí?Stephan F. Kautz

Para o economista-chefe da EQI Asset, Stephan F. Kautz, a ata mostra que o Copom trouxe mais do mesmo em termos de informação.

Isso porque, segundo ele, estas estimativas já constavam no comunicado anterior e a principal novidade, ele destacou, é que os integrantes do Copom pretendem encerrar o ciclo de alta dos juros possivelmente na próxima reunião.

Entretanto, elencou Kautz, em citação à ata, “para que a inflação fique na meta ou a ao redor da meta no ano que vem, os membros do comitê provavelmente não devem cortar os juros tanto quanto o Focus espera”, disse, em relação ao Boletim Focus, que é uma publicação semanal do Banco Central acerca da economia brasileira e o que o mercado espera dela.

Conforme o economista, “o Focus tem uma taxa Selic para o final do ano na casa dos 10%, então é uma mensagem de fim de ciclo, de encerramento das altas de juros já, talvez, na próxima reunião. Mas a mensagem é de um juro parado durante muito tempo”, frisou.

Confira o áudio de Kautz na íntegra.

Ata do Copom: pressões inflacionárias exacerbadas

A autoridade monetária destaca, no documento, o fato de que “essas pressões, decorrentes da recuperação global após a pandemia, foram exacerbadas pelo avanço nos preços de commodities este ano e, mais recentemente, pela onda da Covid-19 na China, prolongando ainda mais o processo de normalização do suprimento de insumos industriais. A reorganização das cadeias de produção globais, já impulsionada pela guerra na Ucrânia, deve se intensificar, com a busca por uma maior regionalização na cadeia de suprimentos. Na visão do Comitê, esses desenvolvimentos podem ter consequências de longo prazo e se traduzir em pressões inflacionárias mais prolongadas na produção global de bens”, disse.

E acrescentou: “o crescimento de grandes economias tem sido revisado para baixo, tanto para este quanto para o próximo ano, em função da expectativa de reversão dos estímulos implementados durante o longo período da pandemia, em particular os de política monetária. Notou-se, ademais, revisões negativas de crescimento para a China, em parte refletindo a política de Zero Covid adotada por esse país.”

BCs em postura mais contracionista

Outro ponto que merece a atenção do investidor mostra que os bancos centrais de países desenvolvidos e emergentes têm adotado uma postura mais contracionista em reação ao avanço da inflação, ainda que, em parte dessas economias, as taxas de juros correntes sigam em campo avaliado como expansionista.

“A reprecificação da política monetária nos países avançados, o aumento da aversão a risco e a mudança da perspectiva de crescimento econômico têm impactado as condições financeiras tanto de países avançados quanto de emergentes. O Comitê discutiu também os crescentes riscos em torno de uma desaceleração global em ambiente de inflação significativamente pressionada”, destacou.

E complementou: “no âmbito doméstico, o conjunto dos indicadores de atividade econômica divulgado desde a última reunião do Copom indica um crescimento acima do que era esperado pelo Comitê. Indicadores relativos ao mercado de trabalho seguem em recuperação e a divulgação do PIB do primeiro trimestre apontou ritmo de atividade acima do esperado, elevando o carregamento estatístico para este ano. O consumo das famílias segue contribuindo positivamente, enquanto, no último trimestre, a formação bruta de capital fixo contribuiu negativamente.”

Inflação ao consumidor

Ainda de acordo com o BC, a inflação ao consumidor segue elevada, com alta disseminada entre vários componentes, se mostrando mais persistente que o antecipado. A inflação de serviços e de bens industriais se mantém alta, e os recentes choques continuam levando a um forte aumento nos componentes ligados a alimentos e combustíveis. As leituras recentes vieram acima do esperado e a surpresa ocorreu tanto em componentes mais voláteis como naqueles mais associados à inflação subjacente. Os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária seguem com inflação elevada e as diversas medidas de inflação subjacente aceleraram, mantendo-se acima do intervalo compatível com o cumprimento da meta para a inflação. As expectativas de inflação para 2022, 2023 e 2024 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 8,5%, 4,7% e 3,25%, respectivamente.

Em se tratando de cenários e análise de riscos, a instituição informa que no cenário de referência, a trajetória para a taxa de juros é extraída da pesquisa Focus e a taxa de câmbio parte de USD/BRL 4,902, evoluindo segundo a paridade do poder de compra (PPC). Esse cenário supõe trajetória de juros que termina 2022 em 13,25% a.a., reduz-se para 10,0% em 2023 e 7,50% em 2024. Optou-se por manter a premissa de que o preço do petróleo segue aproximadamente a curva futura pelos próximos seis meses, terminando o ano em US$110/barril, e passa a aumentar 2% ao ano a partir de janeiro de 2023. Além disso, adota-se a hipótese de bandeira tarifária “amarela” em dezembro de 2022, de 2023 e de 2024.

“Nesse cenário, as projeções de inflação do Copom situam-se em 8,8% para 2022, 4,0% para 2023 e 2,7% para 2024. As projeções para a inflação de preços administrados são de 7,0% para 2022, 6,3% para 2023 e 3,3% para 2024. As projeções do cenário de referência não incorporam o impacto das medidas tributárias sobre preços de combustíveis, energia elétrica e telecomunicações que estão em tramitação. O Comitê julga que a incerteza em torno das suas premissas e projeções atualmente é maior do que o usual e cresceu desde a última reunião”, ressaltou o Bacem.

  • Quer saber mais sobre o ata do Copom e aprender a investir no mercado financeiro? Então preencha este formulário que um assessor da EQI Investimentos entrará em contato para mostrar as aplicações disponíveis!
A retomada das Criptos?
newsletter
Receba informações exclusivas em seu email

Últimas notícias