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Cartão de crédito com cashback: uma escolha emocional ou racional?

Cartão de crédito com cashback: uma escolha emocional ou racional?

Redação EuQueroInvestir

Redação EuQueroInvestir

14 Ago 2021 às 10:00 · Última atualização: 14 Ago 2021 · 5 min leitura

Redação EuQueroInvestir

14 Ago 2021 às 10:00 · 5 min leitura
Última atualização: 14 Ago 2021

cartão com cashback

Os cartões de crédito com cashback estão, cada vez mais, conquistando a preferência dos consumidores. Isso decorre de uma combinação de fatores, em especial, as mudanças no comportamento de consumo a partir da pandemia.

As compras remotas realizadas com cartões aumentaram 32,2% em 2020 em comparação a 2019. Os dados são da Associação Brasileira de Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (ABECS). Dos R$ 2 trilhões movimentados por meios digitais no Brasil neste período, os cartões de crédito foram responsáveis por R$ 1,18 trilhão.

Neste novo contexto, outra mudança impulsionou a demanda por cartões com cashback. Até bem pouco tempo, 70% dos consumidores trocava seus pontos do cartão por passagens aéreas. Com a pandemia, a viabilidade de trocar pontos por viagens tornou-se algo mais distante

O fato é que os padrões de consumo mudaram. Por isso, estamos ressignificando também nossos critérios de relevância quanto aos programas de recompensa.

No entanto, meu papo com você hoje não é exatamente sobre os diferenciais dos cartões de crédito. Quero te falar sobre a visão da psicologia econômica quanto ao crescente interesse pelo cashback.

Abaixo, entenda quais gatilhos emocionais são acionados quando um cartão de crédito te oferece benefícios. Continue a leitura!

Dor do pagamento

De acordo com a psicologia econômica, as escolhas que fazemos não são pautadas apenas por critérios racionais e utilitários. Ao contrário disso, o cérebro usa atalhos mentais para tomar decisões mais rápidas e simples.

Ao usar esses atalhos, sua percepção pode ser fortemente influenciada por emoções que surgem de forma automática e inconsciente.

O estudo desse comportamento possibilita entender, por exemplo, porque às vezes você hesita em pagar um produto à vista e em dinheiro para obter 5% de desconto. Ao mesmo tempo, não pensa duas vezes em aderir a um cartão que lhe ofereça a devolução de 5% do valor gasto numa compra. Qual a diferença se, afinal, são os mesmos 5%?

O professor Drazen Prelec, do MIT Sloan School of Management, que estuda a psicologia do dinheiro, explica que a diferença está na “dor do pagamento”. Em um experimento realizado com estudantes da Sloan, Drazen aferiu que a “dor” do desembolso imediato é 50% maior.

Segundo ele, o cartão dissocia a transação de consumo, que é prazerosa, da transação de pagamento, dolorosa. Essa dissociação, que possibilita ter o prazer imediato e postergar a dor, funciona como um “analgésico”.

O efeito de enquadramento

Os psicólogos Daniel Kahneman e Amos Tversky, em sua Teoria da Perspectiva, apontaram que enquadrar uma despesa como tendo um desconto influencia nossa percepção de valor.

Os programas de recompensas dos cartões de crédito têm tido êxito há muitos anos. No entanto, acumular pontos para futuras trocas por produtos e serviços gera uma motivação limitada. Isso porque não há uma gratificação instantânea.

Apesar de reconhecer que há uma vantagem em trocar pontos por passagens aéreas, esta não é algo tangível no ato da compra, principalmente neste momento que estamos vivendo, não é mesmo?

Sendo assim, quando um cartão oferece um cashback de 3%, o seu cérebro recebe o input do enquadramento focado na recompensa imediata e não na “perda” representada pelo desembolso de dinheiro para efetuar uma compra.

Aversão à perda e viés do presente

Ao falarmos da “dor do pagamento” fica clara a aversão que temos em perder algo que esteja sob nossa posse, neste caso, o dinheiro. Mas, essa aversão tem outros desdobramentos, estando interligada também ao nosso imediatismo (viés de presente).

Lembra daquele antigo ditado popular que dizia “mais vale um pássaro na mão do que dois voando”? Isso ilustra bem a tendência humana em dar um peso maior às recompensas que estão mais próximas. Além disso, mostra nossa aversão ao risco de esperar por algo projetado para o futuro.

Sua mente vê os pontos do cartão a serem trocados em algum momento futuro como uma possibilidade mais distante e repleta de variáveis, enquanto o dinheiro de volta é a recompensa imediata, tangível. Com isso, o viés do presente interfere na decisão sem que uma análise mais detalhada de custo-benefício seja feita.

Ao mesmo tempo, sua aversão à perda o leva a priorizar o cashback por ser a alternativa que, por exemplo, elimina a hipótese de os pontos vencerem antes que você consiga trocá-los pelo que deseja.

8 dicas para escolher seu cartão de crédito com cashback

    1. Avalie se as categorias de compras contempladas pelo cashback fazem parte de seus hábitos de consumo
    2. Lembre-se de checar se as formas oferecidas para resgate do cashback atendem suas expectativas
    3. Se o cartão tiver anuidade, faça as contas se a sua média de gastos irá gerar um total de cashback superior ao custo de manter o cartão
    4. Compare os programas de recompensas disponíveis
    5. Não escolha o cartão apenas pelo percentual de cashback oferecido, avalie todo o pacote de serviços, vantagens e os custos
    6. Não caia na armadilha de pensar que o valor do cashback “caiu do céu”, logo, pode ser gasto com qualquer coisa. Valorize o consumo consciente.
    7. Use com prudência. Cashback é ótimo, e pode ser ainda melhor se for transformado em investimento e não em nova despesa.
    8. Não se deixe levar pela aversão à perda, gastando em algo que não precisa só para “ganhar” o cashback (Lembre-se do Julius, da série Todo mundo odeia o Chris: “se você não comprar, o desconto é maior”)

A psicologia das recompensas é poderosa. Assim, use a seu favor. Fique atento aos vieses comportamentais e analise conscientemente o custo-benefício do cartão com cashback que for utilizar.

Agindo assim, você otimiza os benefícios e garante a saúde da sua vida financeira.

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