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BTG Pactual (BPAC11) projeta dólar a R$ 4,80 no fim de 2022

BTG Pactual (BPAC11) projeta dólar a R$ 4,80 no fim de 2022

Redação EuQueroInvestir

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07 Abr 2022 às 14:10 · Última atualização: 07 Abr 2022 · 5 min leitura

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07 Abr 2022 às 14:10 · 5 min leitura
Última atualização: 07 Abr 2022

dólar

Reprodução/Pixabay

O BTG Pactual (BPAC11) revisou neste mês sua projeção do dólar para o final de 2022 para R$ 4,80, principalmente pelo forte fluxo estrangeiro através das contas financeira (juros) e comercial (exportações). A previsão anterior, de março, era que o dólar estivesse cotado a R$ 5,40 até o fim do ano. Em janeiro e fevereiro a previsão era de que o ano encerrasse com o dólar cotado a R$ 5,60.

A nova projeção incorpora a atenção do BTG aos meses posteriores, onde o debate sobre a política fiscal do próximo governo deve se intensificar e colocar mais risco no mercado local, segundo os analistas.

Segundo o BTG, em março, a intensificação do conflito entre Rússia e Ucrânia manteve a volatilidade acima do usual nos preços internacionais de commodities, pressionando às expectativas de inflação e, consequentemente, endurecendo o discurso de vários membros do Federal Reserve para uma posição mais hawkish sobre a taxa de juros americana.

“Eventos dessa natureza deveriam fortalecer o dólar em relação às moedas emergentes. No entanto, o real mantém sua trajetória de apreciação, explicado por um cenário de exportação cada vez mais positivo com a elevação dos preços do petróleo, minério de ferro e grãos que melhoram a balança comercial e justificam o ingresso mais robusto do fluxo de capitais estrangeiros para o mercado doméstico”, afirma o BTG.

Mas, segundo os analistas, ao longo deste ano, o real pode perder a atual tendência de apreciação em função do quadro inflacionário americano. Nos EUA, tanto o atual choque dos preços das commodities quanto os dados de atividade econômica mostrando crescimento acima do potencial tem apresentado aos membros do comitê de política monetária americana (FOMC) um cenário cada vez mais desafiador ao combate da inflação.

“Logo, acreditamos que as taxas de juros por lá devem encerrar 2022 no range 2,75% – 3,00% e fechar 2023 entre 3,75% – 4,00%. Com estes fatores na mesa, entendemos que o DXY tende a se fortalecer e o real perder parte da atual apreciação”, afirma o BTG.

Já o Brasil o ciclo de ajuste da Selic está perto do fim, mas a inflação neste e nos próximos anos segue preocupando. Com as expectativas de 2023 já fugindo da meta e o BCB indicando fim do ciclo em 12,75% em maio, o diferencial de juros entre Brasil e EUA apresentará redução a partir de junho, desfavorável para o real.

Cenários do câmbio

Segundo relatório do BTG, o câmbio furou consistentemente o piso de R$5,00, impulsionado pelo forte fluxo no balanço de pagamentos, que em março deixou de chamar atenção na conta financeira, mas apresentou superávit na conta comercial.

“Este movimento de entrada pela conta comercial deve seguir nos próximos meses, sustentando nossa visão de taxa em patamar mais favorável no final deste ano, em R$4,80”, dizem os analistas.

Dólar abril

Diferentes cenários para o dólar

Além do cenário base para o fim de 2022, o BTG Pactual também fez projeções otimistas e pessimistas para o valor do dólar frente ao real.

São vários os fatores que interferem no valor das moedas. Com relação aos EUA, após o FOMC promover alta de 25bps na fed funds rate, o BTG epera altas em todas as demais reuniões deste ano, sendo quatro de 50bps e duas de 25bps, encerrando 2022 com 2,75% de taxa, bem como mais quatro altas de 25 bps em 2023 – levando a taxa para 3,75% no final do ciclo, acima dos 2,4% de taxa neutra, desfavorável para o real.

O arrefecimento das tensões entre Rússia e Ucrânia acomodou nos últimos dias os movimentos altistas das commodities mais afetadas pelo conflito, mas não mudou o quadro favorável para exportadores destes bens, que negociam em patamares de preços favoráveis. Este quadro deve seguir favorecendo o real, segundo o BTG.

Já no Brasil, a composição da pauta de exportação brasileira foi importante para a apreciação do câmbio nos últimos 30 dias, visto que o superávit comercial de março, recorde para o mês, puxado pelas vendas expressivas de commodities (petróleo, soja, carne bovina etc.), colaborou para superávit elevado na conta de fluxo comercial.

Confira abaixo as projeções:

Dólar abril

Dinâmica de juros nos EUA e no Brasil

O cenário caminha para fed funds rate acima do câmbio (R$/US$) vs US Treasury 10y (% a.a.) – variação (bps) patamar neutro até o final deste ano (2,4% a.a.) e redução do balanço do Federal Reserve a partir de maio.

Segundo o BTG, o endurecimento da política monetária é compatível com a continuidade do movimento de abertura da curva de juros norte-americana, que deve levar o vértice de 10 anos para próximo de 3%. Este cenário sugere depreciação do Real à frente, visto que a diferença entre os juros de Brasil e EUA deve diminuir, desfavorecendo alocações em Real.

A discussão sobre juros no Brasil neste momento passa pela elevada probabilidade de encerramento do ciclo de ajuste altista na taxa Selic na reunião de maio, visto que as últimas comunicações do Copom sugerem que a taxa de 12,75% a.a. seria suficiente para conduzir o IPCA de 2023 para em torno do centro da meta de inflação.

Apesar do consenso de mercado indicar que uma taxa mais elevada seria necessário, a curva de juros doméstica apresentou fechamento, principalmente nos vencimentos mais curtos.

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