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BTG (BPAC11): fusão entre BRF (BRFS3) e Marfrig (MRFG3) volta a fazer sentido

BTG (BPAC11): fusão entre BRF (BRFS3) e Marfrig (MRFG3) volta a fazer sentido

Redação EuQueroInvestir

Redação EuQueroInvestir

16 Fev 2022 às 22:47 · Última atualização: 24 Jun 2022 · 5 min leitura

Redação EuQueroInvestir

16 Fev 2022 às 22:47 · 5 min leitura
Última atualização: 24 Jun 2022

BTG

Divulgação

Relatório do banco BTG Pactual (BPAC11) analisou duas empresas que atuam no ramo alimentício: BRF (BRFS3) e Marfrig (MRFG3). De acordo com a instituição financeira, a avaliação para compra de papéis é neutra para as duas companhias, com as ações ao preço-alvo de R$ 25 para a BRFS3 e R$ 27 para a MRFG3. Além disso, o banco avaliou que uma eventual fusão entre as duas empresas volta a fazer sentido.

A BRF conseguiu números expressivos em seu aumento de capital, e dentro deste prima, a empresa pode disponibilizar 270 milhões de ações, o que representa o valor de R$ 5,4 bilhões. Para o BPAC11, este resultado positivo está associado a um ambicioso plano de investimentos a longo prazo.

Em relação a alavancagem existe a possibilidade de queda de 3,8x para 2,7x, isto é, no comparativo com o 3T21. Apesar de ser um aspecto positivo, estes números podem simbolizar lucros e resultados menores em um futuro próximo.

BTG (BPAC11): Neutralidade

O aumento de capital foi a aposta da Marfrig, que não expandiu as suas participações na BRF.  Esta decisão, não foi prevista pelo Banco BTG e contribuiu para uma melhor aplicação no patrimônio da empresa, o que é bastante positivo para a MRFG3.

O Banco BTG se mantém neutro em relação a BRF, devido ao futuro incerto da empresa. Uma possível oferta  poderia fortalecer a gigante dos alimentos, que espera uma recuperação nas margens da BRFS3. Vale destacar as receitas positivas que simbolizam números mais altos do Ebitda.

Em relação a Marfrig, a disciplina de alocação de capital da empresa foi um destaque positivo, porém os múltiplos elevados com a margem de carne bovina nos Estados Unidos são fatores preocupantes para a MRFG3, e dentro deste pensamento, o BPAC11 adota uma postura neutra.

Futuro da BRFS3 e MRFG3

Existem alternativas para as duas empresas que trabalham no setor de alimentação. De acordo com o relatório do Banco BTG, a Marfrig mantém 33,2% de participação na BRF, e este número, é 5,5x maior que o apresentado pelo segundo maior acionista da companhia. Neste cenário, a MRFG3 teria uma maior influência sobre o futuro da BRFS3.

Vale destacar a proposta de fusão entre a Mafrig e BRF em dois fatores: operacional e financeiro, como foi proposto em maio de 2019.

Por último existiu a possibilidade remota da MRFG3 lançar uma oferta pública para a aquisição da BRFS3, porém a hipótese foi descartada pela Marfrig durante o seu processo de aumento de capital.

De acordo com o BTG, uma fusão eventualmente seria considerada, à semelhança do negócio proposto em maio/2019. Com a Marfrig mantendo sua participação de 33,2% após a oferta, apesar de entender que poderia tê-la aumentado sem desencadear o poison pill, o banco acreditamos que uma fusão poderia voltar a fazer sentido, principalmente após a eleição do novo conselho de administração da BRF em março.

Fusão

A fusão é uma alternativa viável para obter recursos financeiros. Segundo relatório do BTG, a combinação de negócios poderia impulsionar a nova companhia a um status de gigante global multiproteico com o controle da MRFG3, que detém 1/3 das ações da BRFS3.

A Marfrig tem como característica a disciplina com o capital, e dentro desta perspectiva, é inviável uma aquisição por parte da empresa. Vale lembrar, que a MRFG3 não tem o hábito de pagar altos prêmios em investimentos.

Em relação aos valores da aquisição, a Marfrig terá que desembolsar a quantia de R$ 23 bilhões, que representam  720 milhões de ações de ex-investidores, que hoje integram o grupo BRFS3. Vale destacar também a quantia de R$ 19 bilhões relacionados aos papéis da BRF, o que simboliza uma alavancagem líquida em 3,7x.

Conclusão BRF

A BRF está em um bom momento, onde o sucesso da marca está associado a inovação, em especial,  no setor de alimentos processados, o que contribui para impulsionar o crescimento e o lucro da empresa. Os novos produtos da BRFS3 representam 7% das vendas, o que é 1% acima no comparativo com cinco anos atrás.  A junção entre preço e volumes no Brasil foram os principais destaques da empresa.

O grande desafio da BRFS3 é a sua posição de balanço, que de acordo com o BPAC11 está abaixo do ideal. O nível de alavancagem da empresa conta com um ciclo acelerado de alocação de capital entre os anos de 2013 e 2017, e desta forma, a BRF sofreu com a desvalorização mais recente do real. No momento, a dívida líquida da companhia é de R$ 20,9 bilhões.

Por fim, o Ebitda nominal cresceu 49% no período e a alavancagem caiu de 3,8x para 2,7x, isto é, no comparativo com o 3T21.

Conclusão Marfrig

Os resultados a curto prazo foram sinônimos de sucesso para a Marfrig, e esta é a previsão para o ano de 2022. De acordo com o Banco BTG, os spreads de carne bovina foram mantidos graças a redução da capacidade de abate  e ao crescimento na demanda do consumidor nos Estados Unidos, o que representa fortes lucros e geração de fluxo de caixa para a empresa.

As finanças da National Beef ,que foi adquirida pela MRFG3 é outro fato relevante.  De acordo com o BPAC11, uma nova margem do Ebit de 6-7% equivale a um ROIC bastante alto, na faixa de 34-40%, e por isto, a empresa obteve resultados impressionantes na América do Norte.

No Brasil existe a previsão de um ciclo do gado negativo até o final do ano de 2022, o que pode ser sinônimo de retenção de animais e escassez de ofertas. Houve crescimento de 64% no preço de animais, em especial, o de bezerros e por isto há a possibilidade de retenção de fêmeas. Este cenário pode ser positivo para o setor em relação a sustentabilidade, já que acontecerá uma redução substancial de custos a curto prazo.

A instituição financeira também destacou a abordagem mais disciplinada em relação a alocação de capital, o que permitiu um aumento na participação da Marfrig no capital da BRF. Se houver a fusão entre as duas marcas, os principais beneficiários serão os acionistas minoritários da MRFG3.

 

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