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Weg: Por que o Safra cortou o preço-alvo?

Weg: Por que o Safra cortou o preço-alvo?

Safra reduziu o preço-alvo de R$ 57,40 para R$ 53,60 por ação, upside de 19% frente ao nível atual, e manteve recomendação neutra após revisão para baixo nas estimativas de receita, Ebitda e lucro líquido para 2026

O banco Safra revisou para baixo suas estimativas para a Weg (WEGE3) e reduziu o preço-alvo das ações de R$ 57,40 para R$ 53,60 — upside de 19% frente ao nível atual —, mantendo a recomendação neutra para o papel.

Os analistas Luiza Mussi e Lucas Melotti justificam o corte pelo desempenho abaixo do esperado no primeiro trimestre de 2026 e por uma visão mais conservadora sobre o crescimento da receita e as margens para o restante do ano.

Após um primeiro trimestre mais fraco do que o esperado, estamos cortando nossa estimativa de receita para 2026 em 6,1%, nossa estimativa de Ebitda em 7,8% e nossa projeção de lucro líquido em 10,7%“, afirmam os analistas.

Receita cresce apenas 3,5% em 2026

A revisão de receita foi a mais expressiva das mudanças. O Safra agora projeta crescimento de apenas 3,5% anual em 2026 — bem abaixo das expectativas anteriores —, com o segundo trimestre ainda pressionado pela base comparativa forte do segmento solar do ano passado.

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“Esperamos que o segundo trimestre de 2026 permaneça fraco devido à base mais forte do solar no ano anterior, com melhora no segundo semestre apoiada por bases comparativas mais fáceis e o ramp-up da T&D de Betim”, detalham Mussi e Melotti.

Para 2027, a estimativa de receita também foi cortada em 6,7%, para R$ 48,7 bilhões, com o benefício principal do ramp-up de capacidade agora esperado apenas a partir do terceiro trimestre de 2027.

Margens pressionadas por custos e tarifas

A margem Ebitda projetada para 2026 foi reduzida de 21,8% para 21,4%. O Safra ressalta que, embora a margem do primeiro trimestre tenha ficado em 22,2%, a rentabilidade recorrente foi de aproximadamente 20%.

“As margens devem permanecer abaixo dos níveis do ano passado, refletindo custos persistentemente elevados de matérias-primas, tarifas americanas e maiores custos de mão de obra associados ao ramp-up de capacidade em andamento”, explicam os analistas.

Como resultado, o lucro líquido estimado para 2026 cai 10,7%, para R$ 6,089 bilhões — queda de 4,5% na comparação anual.

Nova Section 232 cria impacto misto

O Safra também revisou sua visão sobre as novas tarifas americanas da Section 232. Sob o novo regime, motores ficam sujeitos a tarifa de 25% sobre o valor total aduaneiro, enquanto transformadores se beneficiam de alíquota temporária de 15% até o fim de 2027 — com aumento para 25% a partir de 2028.

“Estimamos que o novo regime implica uma carga tarifária de cerca de 2,9% da receita de 2025 da Weg, acima dos 2% no cenário do início de 2026, mas ainda bem abaixo do nível visto no fim de 2025”, calculam Mussi e Melotti.

Com o papel negociando a 31 vezes o lucro estimado para 2026 — 8% acima da média histórica —, o Safra vê valuation amplamente justo e “catalisadores ainda limitados para o papel no curto prazo”.