A Prio (PRIO3) reportou o melhor Ebitda de sua história no primeiro trimestre de 2026, de US$ 878 milhões, avanço de 157% frente ao quarto trimestre de 2025 e de 91% na comparação anual. Ainda assim, as ações caem quase 5% nesta quarta-feira (6) com o mercado reagindo ao alto uso do capital de giro.
O número ficou 3% acima das estimativas do Bradesco BBI e expressivos 26% acima do consenso de mercado. A avaliação é dos analistas Vicente Falanga e Ricardo França, que mantêm recomendação neutra para o papel com preço-alvo de R$ 69,00 para o fim de 2026.
Brent mais alto
Quatro fatores combinados explicam o resultado excepcional.
“O Ebitda reflete principalmente o crescimento de 40% na retirada de óleo, para 14,87 milhões de barris, impulsionado pelo aumento de 21% na produção trimestral e pelo consumo de estoques”, apontam Falanga e França.
O Brent médio de realização ficou em US$ 83,5 por barril, 32% acima do trimestre anterior e acima da média simples do período de US$ 78,5, porque as vendas se concentraram na segunda metade do trimestre, quando os preços estavam mais elevados.
Além disso, o impacto dos impostos de exportação foi limitado a apenas US$ 3 milhões, pois as vendas ocorreram antes da entrada em vigor da taxação.
Lifting cost cai abaixo de US$ 10 por barril
Outro destaque positivo foi a queda expressiva no custo de extração.
“O lifting cost caiu para US$ 9,4 por barril, ante US$ 12,5 por barril no trimestre anterior, beneficiado pela devolução da unidade flutuante de Peregrino e por iniciativas de redução de custos”, explicam os analistas, ressaltando que isso ocorreu mesmo com o aumento da participação líquida da Prio em Peregrino de cerca de 60% para 80%.
“Esperamos nova redução para a faixa de US$ 7 a US$ 8 por barril, apoiada pelo maior volume de Wahoo e pela conclusão da linha de importação de gás em Peregrino”, projetam Falanga e França.
Capital de giro consome Ebitda
Apesar do resultado operacional histórico, o fluxo de caixa livre ao acionista (FCFE) recorrente ficou levemente negativo, em US$ 5 milhões.
“O forte Ebitda não se traduziu em geração operacional de caixa, pressionado por consumo de capital de giro de US$ 460 milhões, principalmente pelo aumento de contas a receber de US$ 497 milhões, decorrente da concentração de vendas em março, com liquidação financeira já ocorrida em abril”, detalham os analistas.
O capex somou US$ 308 milhões, alta de 22% no trimestre, concentrado no desenvolvimento de Wahoo. Ainda assim, a companhia reverteu o prejuízo de US$ 185 milhões do 4T25 e lucrou US$ 460 milhões no período.
Neutro mantido apesar de perspectivas
Para o segundo trimestre, o Bradesco BBI vê cenário mais favorável de geração de caixa.
“As perspectivas para o FCFE no 2T26 são razoavelmente positivas, sustentadas por preços de petróleo ainda elevados, reversão esperada do consumo de capital de giro observado no 1T26 e redução relevante do capex com a conclusão do projeto Wahoo”, avaliam Falanga e França.
Ainda assim, a recomendação neutra é mantida.
“Diante de potencial de valorização limitado sob nossa curva atual de preços do petróleo e riscos relevantes de correção em um cenário de reversão no ambiente geopolítico”, concluem os analistas.
A companhia também anunciou mudança na liderança operacional, com a saída do COO Francisco Francilmar Fernandes e a chegada de Jean Carlos Calvi, executivo com 18 anos de experiência no setor.






