O megainvestidor Warren Buffet criticou o que chamou de “práticas agressivas de contabilidade criativa” em sua carta anual aos investidores de suas empresas. Ele afirmou que busca, nas empresas que gerencia e investe, ser “compreensivo com erros de negócios, mas nossa tolerância para más condutas pessoais é zero”, disse.
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Um dos homens mais ricos do mundo e referência no mercado financeiro, com participações em gigantes como a Coca-Cola e a American Express por meio de sua holding, a Berkshire, Buffet afirma buscar uma conduta de tolerância zero com administradores antiéticos, fraudes ou manipulações de números.
O assunto ganhou destaque no noticiário brasileiro após a crise na Americanas (AMER3), que entrou em recuperação judicial depois da revelação de inconsistências em seus balanços que escondiam uma dívida bilionária.
Entre os controladores das Americanas está o Grupo 3G, controlado pelos brasileiros José Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira, que já foi associado de Buffet na aquisição da Heinz, gigante norte-americana do ramo alimentício, movimentação que não gerou os resultados esperados.
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Buffett não citou nomes de empresas ou de executivos em sua fala sobre questões contábeis e idoneidade. Disse apenas que “quando grandes empresas estão sendo administradas, tanto a confiança quanto as regras são essenciais”.
“A Berkshire enfatiza a primeira em um grau incomum, alguns diriam extremo. As decepções são inevitáveis. Entendemos perfeitamente equívocos no campo dos negócios, mas nossa tolerância para má conduta pessoal é zero. Nosso objetivo é fazer investimentos significativos em negócios com característica duradoura no quesito econômico e de confiabilidade de gestão.”
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Contabilidade criativa: “vergonha do capitalismo”
No mesmo texto, Buffet se coloca como crítico do GAAP, métrica obrigatória para companhias listadas nos EUA que considera distorcidas, e diz que o formato atual adotado pelo mercado, de balanços trimestrais, “apenas desinforma os investidores”, além de dizer que “mesmo o lucro operacional pode ser facilmente manipulado por administradores que assim o desejarem”..
“Essa atividade é nojenta. Não é necessário nenhum talento para manipular números: é preciso apenas um profundo desejo de enganar. A ‘contabilidade criativa ousada’, como um CEO certa vez me descreveu, tornou-se uma das vergonhas do capitalismo”, concluiu Buffet.
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O investidor não citou no texto, no entanto, um tópico aguardado pelo mercado, o desinvestimento da Berkshire na Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. (TSMC). A empresa havia adquirido US$ 5 bilhões em participação na companhia, fabricante de chips e semicondutores, mas depois anunciou ter se desfeito de 86% de suas posições.
Buffet, de 93 anos, também não se manifestou sobre aposentadoria ou um eventual processo de sucessão na Berkshire, e também evitou comentários macroeconômicos sobre expectativas de corte de juros ou de recessão nos Estados Unidos no curto e médio prazo.
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