A OceanPact (OPCT3) deve atravessar os próximos meses com uma combinação de fatores capazes de impulsionar seus resultados e a percepção dos investidores sobre a companhia. Em relatório divulgado após reunião com a administração da empresa, o BTG Pactual reiterou sua recomendação de compra para as ações e destacou que a conclusão da fusão com a CBO é esperada para meados de agosto, o que pode marcar o início de uma nova fase para a companhia.
Segundo o banco, o fechamento da operação representa um dos principais catalisadores de curto prazo para a OceanPact. Outro evento relevante é o julgamento da disputa envolvendo indenizações relacionadas ao projeto Coral, previsto para agosto. Na avaliação dos analistas, a combinação desses fatores cria um cenário favorável para a valorização das ações.
O BTG ressaltou ainda o potencial de geração de caixa e distribuição de dividendos da empresa. As estimativas apontam para um dividend yield de 13% em 2027, podendo alcançar 23% caso sejam considerados os recursos provenientes das reivindicações judiciais ligadas à UP Claims.
Mercado aquecido
Durante a reunião com investidores, a administração da OceanPact afirmou que o mercado global de embarcações de apoio continua operando com oferta restrita. A empresa atribui esse cenário ao baixo volume de investimentos realizados no setor desde a crise enfrentada pela indústria de petróleo em 2015.
De acordo com a companhia, a entrada em operação de novos FPSOs, a continuidade das atividades em campos maduros e o avanço dos projetos de descomissionamento devem sustentar a demanda por embarcações especializadas nos próximos anos.
A OceanPact destacou ainda que as taxas diárias observadas em licitações recentes da Petrobras ficaram acima dos níveis atualmente praticados, reforçando a percepção de um mercado ainda favorável para operadores de embarcações de apoio marítimo.
Sinergias da fusão
Para o BTG, a combinação com a CBO traz oportunidades concretas de captura de sinergias. Uma das principais está relacionada à redução do tempo de inatividade da frota. Segundo a administração, cada avanço de um ponto percentual nesse indicador pode adicionar aproximadamente R$ 15 milhões ao Ebitda anual da empresa combinada.
Outra frente relevante envolve a redução da ociosidade comercial das embarcações. A OceanPact estima que cada aumento de um ponto percentual na taxa de contratação das embarcações atualmente ociosas da CBO possa gerar cerca de R$ 14 milhões adicionais de Ebitda por ano.
Além disso, a integração permitirá ampliar o uso dos veículos operados remotamente (ROVs) da OceanPact na frota da CBO e aproveitar a estrutura de estaleiro da companhia, reduzindo custos de manutenção e investimentos futuros.
Dividendos no radar
Na avaliação da administração, a nova estrutura também deverá melhorar o perfil financeiro da empresa. O menor custo da dívida da companhia combinada tende a aumentar a conversão de Ebitda em fluxo de caixa livre e acelerar o processo de desalavancagem.
A expectativa é que, após a relação entre dívida líquida e Ebitda ficar abaixo de 2,5 vezes, a empresa passe a ter maior flexibilidade para distribuir dividendos acima do mínimo obrigatório. Para o BTG, esse potencial de remuneração ao acionista reforça a atratividade das ações da OceanPact em meio ao cenário positivo esperado para os próximos anos.
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