A XP Investimentos reiterou a recomendação de compra para as ações da Embraer (EMBJ3) após reunião realizada na última sexta-feira (29) com o CFO Felipe Santana, o diretor de RI Guilherme Paiva e a equipe da companhia. O banco saiu do encontro mais confiante nos vetores de curto prazo que sustentam a entrega do guidance de rentabilidade de 2026.
A tese de longo prazo permanece intacta, apoiada em um backlog robusto e diversificado. O pano de fundo macroeconômico mais ruidoso não alterou a visão positiva dos analistas.
Guidance reiterado em todas as frentes para 2026
A XP saiu mais confiante na capacidade de entrega do guidance, mesmo após o resultado do primeiro trimestre ficar abaixo das expectativas. O engajamento próximo com a cadeia de suprimentos e boa visibilidade sobre o planejamento de produção sustentam o intervalo de entregas.
O ponto médio do guidance aponta para margem EBIT de 9,0%. Com a manutenção das isenções tarifárias atuais, a XP estima margem EBIT de 9,6% para 2026, com benefício de aproximadamente 60 pontos-base.
Mix desfavorável no 1º trimestre é temporário
As margens do primeiro trimestre são vistas como abaixo dos níveis normalizados, refletindo efeitos temporários. A participação elevada de entregas para a Republic (~30% no 1T26 vs. 13% no 1T25) e um mix mais pesado de operadores de frota em Aviação Executiva pesaram nos resultados.
À medida que esses efeitos se dissipem, a XP espera recuperação sequencial de margens a partir do segundo trimestre de 2026, sustentada por mix mais favorável e maior alavancagem operacional.
Os mecanismos de repasse contratual da inflação de insumos estão em vigor. Matérias-primas representam parcela relativamente pequena dos custos, e o uso crescente de materiais compostos reduz a sensibilidade a commodities.
Farnborough em julho é o próximo catalisador de pedidos
A XP espera que os anúncios de novos pedidos fiquem concentrados no Farnborough Airshow, em julho, em linha com ciclos históricos. Não há sinais de deterioração estrutural na demanda, com clientes tomando decisões com base em planejamento de frota de longo prazo.
O ambiente competitivo em jatos regionais segue acirrado, como evidenciado pelo recente pedido da AirAsia ao A220. A XP avalia que um pedido dessa magnitude pode preencher slots do concorrente e criar dinâmicas de negociação mais favoráveis para a Embraer à frente.






