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Varejistas brasileiras conseguem competir com a Shein?

Varejistas brasileiras conseguem competir com a Shein?

Levantamento com mais de 37 mil produtos mostra domínio de Renner, C&A e Riachuelo no mercado de massa

Apesar da crescente pressão competitiva imposta por players internacionais, especialmente a Shein, o varejo brasileiro de moda segue resiliente, com as principais lojas de departamento mantendo forte posicionamento no mercado de massa. A conclusão é de um relatório da XP Investimentos, que analisou mais de 37 mil produtos em oito grandes varejistas por meio de web scraping.

O estudo foi motivado por mudanças recentes no ambiente competitivo, incluindo a decisão do governo de zerar o imposto federal de importação para compras de até US$ 50, a entrada de novas marcas internacionais e o reposicionamento de preços entre os principais players locais. A análise abrangeu empresas como Renner (LREN3), C&A (CEAB3), Riachuelo (RIIA3), Zara, H&M, Bershka, Hering (AZZA3) e Shein.

Apesar dos preços mais baixos da Shein e da recente isenção do imposto federal de importação, vemos as lojas de departamento bem posicionadas para competir”, afirmam os analistas Danniela Eiger, Pedro Caravina e Laryssa Sumer. “Os investimentos recentes em qualidade de produto e percepção de valor têm sustentado essa resiliência.”

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Riachuelo dispara em vendas no 1T26 e supera expectativas do mercado
Foto: Divulgação

Domínio no mercado de massa

Os dados indicam que Renner, C&A e Riachuelo seguem dominando o segmento de renda média, com destaque para a Renner, que apresenta a estrutura de preços mais competitiva entre os pares avaliados. Segundo o levantamento, 88% do portfólio da companhia está abaixo de R$ 200, reforçando seu foco no grande público.

C&A e Riachuelo aparecem na sequência, com faixas de preço semelhantes, consolidando a força das lojas de departamento no varejo nacional. Esse posicionamento tem sido reforçado por movimentos recentes de melhoria de produto e ajustes na percepção de valor junto ao consumidor.

Shein
(Imagem: Unsplash)

Shein pressiona, mas não desloca líderes

A Shein se destaca como o player estruturalmente mais barato da amostra, mesmo sem considerar descontos ou cupons. Com preços, em média, cerca de 30% inferiores aos das varejistas brasileiras e forte presença promocional — com até 74% dos produtos em desconto —, a empresa reforça seu posicionamento de ultra-fast fashion.

Ainda assim, os analistas destacam que a dinâmica competitiva não se resume apenas a preço.

“A Shein se posiciona consistentemente no piso da pirâmide de preços, mas as lojas de departamento têm conseguido responder com portfólio mais equilibrado e maior percepção de valor”, dizem Eiger, Caravina e Sumer.

Novos entrantes e segmentação de mercado

O relatório também aponta que a Zara segue operando em um segmento distinto, com ticket médio significativamente superior ao dos concorrentes e foco em uma proposta mais premium. Já H&M e Bershka ocupam uma posição intermediária, com preços acima das lojas de departamento, mas abaixo da Zara.

Para a XP, essas novas entrantes ainda não representam ameaça relevante.

“H&M e Bershka se posicionam no meio do caminho, com preços mais elevados e footprint ainda limitado, o que reduz seu impacto competitivo no curto prazo”, afirmam os analistas.

Além disso, a análise destaca estratégias distintas de precificação e promoções entre os players. Enquanto Shein e Renner apresentam maior intensidade promocional, Zara, H&M e Bershka operam com maior disciplina de preços, recorrendo a liquidações mais pontuais.