A Vale (VALE3) informou ter recebido da Previ um pedido formal para convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) com o objetivo de deliberar sobre mudanças no Conselho de Administração.
A proposta inclui a destituição de Daniel Stieler, a indicação de José Maurício Pereira Coelho para a vaga e a eleição de Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como “Ollie”, para a presidência do colegiado.
Segundo análise do BTG Pactual, o movimento tende a ser bem recebido pelo mercado, sobretudo por investidores estrangeiros, que historicamente apontam preocupações com governança e eventual influência política na companhia. A eventual nomeação de um chairman independente e com trajetória global pode ser um ponto de inflexão na percepção de risco.
“À primeira vista, vemos a proposta de forma positiva do ponto de vista da governança”, afirmam os analistas Leonardo Correa, Marcelo Arazi e Rodrigo Gotardo. “A possível nomeação de um executivo independente e amplamente respeitado como presidente do conselho deve ser bem recebida pelo mercado.”
Mudança reforça independência do Conselho
Para o BTG, a questão de governança tem sido um dos principais fatores de desconto nas ações da mineradora ao longo dos anos. A possibilidade de fortalecer a independência do Conselho pode contribuir para reduzir esse gap.
“Em nossas conversas com investidores internacionais, a governança e a percepção de interferência política têm figurado consistentemente entre os principais fatores que pesam sobre as ações”, afirmam Correa, Arazi e Gotardo. “Na medida em que as mudanças propostas reforçarem a independência do Conselho, acreditamos que isso poderá ajudar a atenuar parte desse desconto.”
Embora o banco mencione a existência de dinâmicas internas na Previ que levaram à proposta, os analistas ressaltam que não há visibilidade suficiente para conclusões mais firmes — e que tais fatores não estariam diretamente ligados à Vale. Ainda assim, a expectativa é de aprovação das mudanças nos próximos meses, dada a relevância do tema.
Foco do mercado recai sobre o novo chairman
Entre os nomes indicados, o principal foco deve recair sobre Ollie, atual conselheiro independente líder da Vale. Com mais de três décadas de experiência na indústria global de mineração, ele acumula passagens por empresas como De Beers e Anglo American, além de participação em diversos conselhos internacionais.
“Dado seu sólido histórico no setor, perfil internacional e status independente, acreditamos que sua nomeação provavelmente será vista com bons olhos pelos investidores”, destacam os analistas do BTG.
Já José Maurício Pereira Coelho traz experiência relevante em finanças e governança, tendo sido CEO da própria Previ e chairman da Vale entre 2019 e 2021, período marcado pelos desdobramentos do desastre de Brumadinho. Atualmente, atua em conselhos e comitês de grandes companhias brasileiras.
“É importante ressaltar que a proposta ainda precisa da aprovação dos acionistas, mas, considerando o que está em jogo, acreditamos que as mudanças provavelmente serão aprovadas nos próximos meses”, concluem Correa, Arazi e Gotardo.
O BTG Pactual manteve recomendação de compra para a Vale, avaliando que a potencial melhora na governança pode destravar valor adicional para o papel.






