O JP Morgan elevou o preço-alvo das ações da Vale (VALE3) de R$ 99 para R$ 104, mantendo a recomendação de compra para os papéis da mineradora brasileira. O novo alvo representa potencial de valorização de aproximadamente 26% frente ao último fechamento, reforçando a visão construtiva do banco americano para a companhia.
A revisão incorpora três atualizações principais ao modelo: a marcação a mercado dos preços das commodities, as projeções mais recentes de câmbio e os resultados do primeiro trimestre de 2026.
“Estamos atualizando nossas estimativas para incluir os preços de commodities a mercado e as projeções mais recentes de câmbio em nosso modelo. Nesta revisão, também aproveitamos a oportunidade para incluir os resultados do 1T26”, informou o JP Morgan em nota.
Para o minério de ferro — principal produto da Vale —, o banco trabalha com preço de US$ 99 por tonelada em 2026 e US$ 93 por tonelada em 2027.
Com essas premissas, o EBITDA projetado para o ano corrente é de US$ 17,268 bilhões, resultando num múltiplo de 4,9 vezes EV/EBITDA para 2026 — nível considerado atrativo frente ao histórico da companhia e aos pares globais do setor de mineração.
Yuan
Segundo o BTG Pactual, em outro relatório recente, a apreciação do yuan chinês, que atingiu nesta quinta-feira seu nível mais forte frente ao dólar desde fevereiro de 2023, com a taxa de referência diária fixada pelo Banco Central da China em 6,8349, deve trazer um impacto positivo e ainda pouco explorado para a Vale.
O movimento, que acumula valorização de cerca de 5% no ano e quase 6% nos últimos 12 meses, eleva o custo equivalente em dólar da produção doméstica de minério de ferro na China — tornando as importações de material estrangeiro, como o brasileiro, mais competitivas.
Bancos globais já revisaram suas projeções para a moeda, com o consenso apontando para 6,70 até o fim do ano.
O impacto subestimado sobre a curva de custos
Para os analistas Leonardo Correa, Marcelo Arazi e Rodrigo Gotardo, a dimensão mais relevante — e ainda não totalmente precificada — da apreciação do yuan é justamente seu efeito sobre os custos da própria indústria chinesa.
“A dimensão mais subestimada da apreciação do yuan é seu impacto sobre a curva de custos da China. O país é um produtor marginal relevante tanto em minério de ferro quanto em celulose, e um yuan mais forte infla o custo equivalente em dólar da produção doméstica, elevando mecanicamente o piso global de custos para ambas as commodities”, explicam os analistas.
Minério de ferro: produção doméstica já cara fica ainda mais cara
No minério de ferro, a produção doméstica chinesa já opera no extremo mais caro da curva global de custos, com capacidade marginal estimada acima de US$ 100 por tonelada — nível não competitivo frente ao material importado nos preços atuais.
A apreciação do yuan amplia esse diferencial em termos de dólar, acelerando a substituição em favor das importações e criando um suporte estrutural para os preços spot.
“Para a Vale, isso é inequivocamente positivo”, afirmam Leonardo Correa, Marcelo Arazi e Rodrigo Gotardo.
O mecanismo é duplo: além de elevar o custo da produção local, o yuan mais forte também aumenta o poder de compra dos importadores chineses para adquirir material no mercado internacional.
Celulose também se beneficia do mesmo mecanismo
A dinâmica é igualmente relevante para o mercado de celulose. A China expandiu agressivamente sua capacidade integrada de celulose na última década, e essa base de produção já é grande o suficiente para definir o custo marginal de oferta global.
“À medida que a apreciação do yuan infla o equivalente em dólar dos custos domésticos de conversão e de sourcing de madeira, eleva mecanicamente o piso de preço no qual a produção doméstica chinesa permanece viável — fornecendo suporte estrutural para os preços globais de celulose BHKP em um nível que o mercado ainda não precificou totalmente”, concluem os analistas.






